São Paulo - O duro trabalho de Dorival Júnior à frente do Santos começou de fato na última sexta-feira. O treinador já se reuniu com a diretoria e passou alguns nomes, mas até o momento só há uma certeza: o início será difícil.

''Não vou mentir nem iludir o torcedor, ficar contando história. O começo será complicado, mas esse é um desafio que estou muito disposto a encarar'', disse Dorival.

O treinador falou ainda que aposta muito em um ano de afirmação de Neymar e Paulo Henrique Lima com a camisa do Santos e que o caminho para iniciar um trabalho está em acreditar nos jogadores que já fazem parte do grupo santista, principalmente os das categorias de base. Hoje, a diretoria deve confirmar a contratação do zagueiro Bruno Rodrigo, ex-Portuguesa.

AE - O momento de transição no comando do clube pode atrapalhar o seu trabalho?

Dorival - Não acredito. Quando cheguei ao Vasco havia a mesma desconfiança, mudança de diretoria, saída de jogadores. Mas não houve nenhum problema. No Santos está tudo da mesma forma. Já foram definidos os novos dirigentes, diretores. Tenho plena confiança nesse novo momento do clube.

AE - Acredita em pressão da torcida por bons resultados já no Campeonato Paulista?

Dorival - A pressão sempre vai existir, mas acho que conquistar a confiança do torcedor é o principal ponto a ser trabalhado nesse momento. O objetivo dessa nova diretoria é esse. Trabalhar forte para assim trazer o torcedor para o nosso lado. Deixar claro nosso propósito de colocar o Santos no caminho das vitórias. Sabemos que isso não vai acontecer do dia para a noite. Vai ser um trabalho demorado, mas a torcida vai perceber logo que estaremos formando uma equipe jovem, que vai se fortalecer com o passar dos meses.

AE - Já apresentou uma lista para a nova diretoria com os nomes de jogadores da sua preferência?

Dorival - Sim. Eles já têm alguns nomes, mas prefiro não revelar nenhum nome.

AE - Há alguma posição especial que precise de mais reforços?

Dorival - O ataque. Perdemos um artilheiro, o Kléber Pereira, e não podemos ficar órfãos de um atacante de área. Há outras posições carentes, mas vou definir melhor isso quando estiver em Santos.

AE - O Marcel foi indicação sua?

Dorival - Não. Já era uma possibilidade apresentada para o clube antes de eu assumir. Mas é um atacante de qualidade. Não fiz nenhuma objeção à chegada dele e espero que se recupere logo (de uma cirurgia no joelho) para começar bem a pré-temporada. Ele fez um ótimo campeonato pelo Grêmio em 2008, já havia jogado bem pelo Coritiba, tem passagens por outros grandes clubes. É um jogador que pode ser muito útil nesse início de temporada.

AE - O Herrera, do Grêmio, também apareceu como uma opção. Como está a situação para contratá-lo?

Dorival - Li alguma coisa na imprensa, na internet. Não tenho nenhuma informação em relação a isso.

AE - A mudança na diretoria do Santos implicou na saída de muitos jogadores e na volta de outros. O que pode falar sobre o Roberto Brum, que volta de empréstimo do Figueirense?

Dorival - É um jogador que fará parte do grupo e conto com ele. Fez um bom Campeonato Paulista nesse ano, mas a primeira avaliação do grupo eu só vou poder fazer quando tomar contato com os jogadores, no dia a dia de trabalho.

AE - Dos jogadores que ficaram, não há dúvidas de que a aposta do clube continua sendo no Neymar e no Paulo Henrique. O que pensa desses jogadores?

Dorival - Eles não são mais promessas e surpresa para ninguém. Esse ano foi o ano da confirmação dos dois como grandes jogadores e não tenho medo de dizer que em 2010 a responsabilidade dentro do time dos dois será maior. Não acredito que a pouca idade dos dois vá atrapalhar. Estão habituados a jogar grandes jogos, foram para a seleção de base, e o caminho natural é esse. Não dá para escapar. Sei que os dois não vão sentir a pressão. O primeiro estágio já foi superado e 2010 só tende a ser melhor para os dois e consequentemente para o Santos.

AE - Os jogadores da base do Santos terão mais chances com você?

Dorival - É preciso resgatar isso. Há grandes valores no clube que precisam ter seu espaço. O Luxemburgo já vinha dando oportunidades para alguns e não tenho porque não continuar esse trabalho. Sei da dificuldade da diretoria de contratar grandes jogadores agora e até por isso o jeito é buscar soluções com o que está aí à disposição. Digo isso, claro, mas não podemos esquecer que será necessário nos reforçarmos.

AE - O Fábio Costa continuará tendo privilégios no clube?

Dorival - Sei que a intenção da nova diretoria do Santos é dar o mesmo tratamento a todos os jogadores do elenco. Sem privilégios. Espero que ele se enquadre dentro dessa filosofia de trabalho. Reconheço tudo que o Fábio Costa representa para o clube, o que conquistou e conto com ele, claro. O Fábio vai ter todo o meu respeito, mas o tratamento será igual para todos. Não há como ser diferente. Tenho certeza de que, se ele estiver motivado e treinado, vai render bem e nos ajudar.

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