Santo Domingo - Para Eduardo de Rose, membro da Comissão Médica da Wada, Maurren Maggi não teve a intenção de melhorar sua performance ao utilizar o esteróide clostebol, detectado em seu controle antidoping.
Por acreditar nesta tese, ele enviou relatório para a Associação Internacional das Federações de Atletismo (Iaaf) favorável à saltadora brasileira.
''Não se trata de uma defesa, porque não sou advogado. É só um relato de como as coisas aconteceram. Na minha opinião, ela não teve culpa. Foi uma contaminação, mas quem vai julgar é a Iaaf'', diz o médico, também presidente do Comitê Médico da Organização Desportiva Pan-Americana.
Apesar de a Iaaf ter descartado uma resposta hoje, De Rose acredita que um parecer da entidade deve ser emitido logo. ''Por enquanto, ela não está suspensa. Se não houver novidades, não vejo motivo para que Maurren não venha disputar o Pan'', contou o médico.
Sua atuação nesse caso contrasta com outros flagrantes recentes de doping no Brasil. Em março, o boxeador peso-pesado Pedro Otas foi punido por apresentar alteração hormonal e presença de nandrolona nos testes em sua urina.
Em maio, a nadadora Laura Azevedo testou positivo para três esteróides. A atleta recorreu, requisitou exame de DNA na sua amostra, mas, até hoje, não obteve sucesso e perdeu a vaga para o Pan-Americano.
''Nesses casos não houve polêmica. Os testes falavam por si'', argumentou de De Rose.
No Pan de Winnipeg-1999, a arremessadora de peso Elisângela Adriano também foi flagrada no antidoping. Ela havia triunfado em seu evento e, mesmo após a confirmação do positivo, manteve a medalha.
''O que vale é a confirmação. Em Winnipeg, ela só veio depois do Pan, portanto não tinha sentido a atleta perder a medalha'', declarou segunda-feira Carlos Arthur Nuzman, presidente do Comitê Olímpico Brasileiro. ''Só que agora a notícia veio antes, e vamos ter que esperar para ver o que decidem, se ela pode ou não competir'', completou.
O caso A suspeita de uso de substância proibida pela legislação esportiva por parte de Maurren Maggi foi divulgada ontem pelo jornal ''Folha de São Paulo''. De acordo com o diário, a saltadora foi pega no exame antidoping durante o Troféu Brasil, realizado em São Paulo no mês passado. Maurren teria tido controle positivo para um esteróide anabólico.
A defesa da atleta sustenta que não houve intenção. Maurren teria se contaminado com um creme cicatrizante, usado após uma sessão de depilação.
Maurren Higa Maggi é um dos maiores nomes do atletismo brasileiro. Dona das três melhores marcas do mundo no ano no salto em distância, ela obteve resultados expressivos também nos 100m com barreiras e no salto triplo.

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