Enfim, o tênis passará a ter um controle antidoping condizente com seu grau de profissionalismo, importância e dos milhões e milhões de dólares envolvidos no circuito. A partir de janeiro de 2002, a modalidade irá seguir os critérios estabelecidos pelo Comitê Olímpico Internacional (COI), atendendo às pressões feitas pela ITF (Federação Internacional de Tênis) e, em especial, pelo comitê organizador de Roland Garros, que influenciou diretamente na decisão da Associação dos Tenistas Profissionais (ATP) em aceitar um controle mais abrangente e seguro.
Até hoje, os casos de doping no tênis foram sempre controlados pela própria ATP, o que deixa fortes suspeitas sobre a eficiência das regras usadas. Raríssimos jogadores foram pegos usando substâncias proibidas, como aconteceu com o checo Petr Korda e, mais recentemente, com o argentino Juan Ignacio Chela.
Agora não. O tênis não terá mais regras próprias e será obrigado a seguir as normas, mais rígidas e seguras, do COI. Por isso, a ATP, desde o mês de outubro, no Masters Series de Stuttgart, na Alemanha, está instruindo jogadores, técnicos, fisioterapeutas e nutricionistas a ficarem atentos ao uso de substâncias que eram aceitas e a partir de janeiro passarão a ser proibidas, como a efedrina e o bupropion.
Com isso, como adverte o professor Alexandre Nunes, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, que já trabalhou na equipe de controle antidoping dos Jogos Olímpicos de Sydney, Atlanta e Barcelona, ao lado de Eduardo De Rose, membro da comissão médica do COI, os tenistas terão de tomar cuidados até mesmo ao tomarem um simples antigripal ou um antiinflamatório.
''Acontece que remédios simples, como antigripais, analgésicos, que normalmente nós, pessoas normais, tomamos, exigirão agora um controle maior entre os tenistas'', explicou Alexandre Nunes. ''Até mesmo alguns tipos de alimentos em excesso podem revelar substâncias proibidas acima do limiar permitido, no que se transformaria numa contaminação alimentar.''

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