O piloto australiano Michael Doohan, 33 anos, pode conquistar na madrugada de amanhã, no circuito de Eastern Creek, em Phillip Island, na Austrália, o pentacampento na categoria 500cc, durante a disputa da 13ª e penúltima etapa do Mundial de Motovelocidade. Em nove temporadas, Doohan obteve 50 vitórias (dez delas consecutivas, em 97), sem contar as inúmeras poles e recordes de pista. Uma vitória hoje e ele será o campeão de 98, não podendo ser mais alcançado por seus adversários diretos.
Mas se Doohan pode ser penta ‘em casa’, pois soma 210 pontos, ele terá contra si o italiano Massimiliano Biaggi, 189 pontos, e o espanhol Alex Crivillé, 182, que não se intimidaram com o cartel do adversário e chegam na reta final lutando pelo título. O caso de Biaggi é mais impressionante, uma vez que ele veio direto das 250cc, onde foi tetracampeão, para liderar as 500cc nas primeiras etapas, algo que não acontecia há anos. Crivillé, vítima de um sério acidente na Holanda, no ano passado, foi o vencedor desta mesma corrida em 97 e quer repetir a dose, quem sabe desbancando Doohan do topo da classificação, faltando apenas duas etapas para o final do campeonato.
Entre os pilotos ‘franco-atiradores’, ou seja, aqueles que não disputam o título e não têm mais nada a perder, é bom ficar de olho em quatro nomes: o espanhol Carlos Checa - mesmo longe da forma física ideal é um nome a ser respeitado -, o japonês Norifumi Abe, que, nas últimas corridas da equipe de Wayne Rainey, vai fazer de tudo para oferecer uma vitória de despedida para o patrão; o neozelandês Simon Crafar, grande surpresa deste ano nas 500cc e que disputa sua primeira temporada completa com uma moto de ponta; e o brasileiro Alexandre Barros, ávido por conquistar seu primeiro pódio no ano.
Nas 250cc, deve pegar fogo a disputa entre o chamado ‘trio de ouro’ da Aprilia, formado pelos italianos Valentino Rossi e Loris Capirossi, e o japonês Tetsuya Harada. A briga entre os três durou todo o ano e terá seu auge hoje na Austrália. Harada lidera com 200 pontos, seguido por Capirossi, 184; e Valentino, 151, este sem chance de lutar pelo título.
Na categoria 125cc, o japonês Kazuto Sakata, de 32 anos, campeão em 94, quer conquistar o bi, ele que tem 205 pontos, 33 a mais que o conterrâneo Tomomi Manako. Para a próxima temporada, a 125cc não poderá contar com pilotos que tenham mais de 25 anos, ou quatro temporadas consecutivas. A medida visa incentivar a participação de jovens talentos, como o italiano Marco Melandri, de 16 anos, e que foi a grande revelação deste ano.

mockup