Doohan confirma favoritismo no GP
PUBLICAÇÃO
domingo, 03 de agosto de 1997
José Emílio Aguiar Agência Estado 
Michael Doohan não esperava que sua vitória no GP do Brasil de Motociclismo, na categoria 500 cilindradas, fosse tão difícil. O japonês Tadayuki Okada o perseguiu durante todas as 24 voltas e valorizou a conquista de Doohan - a nona em dez provas. Okada terminou em segundo e o italiano Luca Cadalora em terceiro.
O piloto australiano agora só precisa de um sétimo lugar na etapa de Donnington Park, na Inglaterra, dia 17, para se sagrar tetracampeão com quatro provas de antecipação. Doohan pode levar o título mesmo sem pontuar. Se Tadayuki Okada e o compatriota Nobuatsu Aoki chegarem abaixo do segundo lugar, o australiano será campeão. Doohan reconhece que seu trabalho ficou mais fácil. A pressão está sobre eles.
Doohan afirmou que o GP do Brasil foi uma prova quase tão dura quanto a única corrida que perdeu este ano, para o espanhol Alex Criville em Barcelona. Largando na pole, caiu para quarto, mas retomou a ponta depois de três curvas. A partir daí, teve de poupar a moto. Fizemos uma aposta na escolha dos pneus, contou. Doohan tinha seis compostos de borracha para optar e reclamou que não tivesse feito nenhum treino no mesmo horário da corrida, 11 horas por exigência da televisão. Os pneus são muito sensíveis à temperatura do asfalto e não pude ter referência de qual composto usar.
A equipe instalou um pneu mais mole na dianteira e Doohan ficou temeroso de este não resistir ao calor. Teve de diminuir o ritmo para evitar o desgaste e Okada chegou a ultrapassá-lo numa curva, mas imediatamente o australiano deu-lhe o troco. Foi uma boa briga.
No pódio, Doohan recebeu o troféu das mãos de Romário, a quem não conhecia. Conheço o Ronaldinho porque ele foi a uma corrida na Espanha, mas este jogador eu não sei quem é, disse, desculpando-se: Eu não sou um fã de futebol. Romário foi convidado pelos organizadores, mas não teve cachê: só pediu em troca 20 credenciais.
No autódromo, o craque do Valência foi assediado. Doohan disse que não se importava com a celebridade do jogador. O status de uma pessoa não significa nada para mim, disse o ídolo do motociclismo. O que importa é se ela é legal, simples, se age normalmente com as pessoas, e ele pareceu ser. Doohan, porém, é o oposto: de poucos sorrisos e palavras. O campeão se disse decepcionado com a falta de público. Acho que no país de vocês as pessoas preferem corridas de carros.
O brasileiro Alexandre Barros largou em 13º e estava em oitavo quando caiu na última curva. Na categoria 250 cc, o francês Olivier Jacque venceu acirrado pega com o japonês Tetsuyo Harada. Harada lidera o campeonato com 162 pontos, dois à frente do italiano Max Biaggi. Na 125 cc, o italiano Valentino Rossi, de 18 anos, ganhou pela oitava vez no ano e somou 220 pontos, 77 a mais que o japonês Noboru Ueda, segundo na prova. Os brasileiros Adílson Cajuru, César Barros, Carlos Medeiros, Renato Velludo e Eraldo Tomé ocuparam, nesta ordem, do 21º ao 25º lugar. Cristiano Vieira caiu a 2 voltas do fim.


