Michael Doohan não esperava que sua vitória no GP do Brasil de Motociclismo, na categoria 500 cilindradas, fosse tão difícil. O japonês Tadayuki Okada o perseguiu durante todas as 24 voltas e valorizou a conquista de Doohan - a nona em dez provas. Okada terminou em segundo e o italiano Luca Cadalora em terceiro.
O piloto australiano agora só precisa de um sétimo lugar na etapa de Donnington Park, na Inglaterra, dia 17, para se sagrar tetracampeão com quatro provas de antecipação. Doohan pode levar o título mesmo sem pontuar. Se Tadayuki Okada e o compatriota Nobuatsu Aoki chegarem abaixo do segundo lugar, o australiano será campeão. Doohan reconhece que seu trabalho ficou mais fácil. ‘‘A pressão está sobre eles.’
Doohan afirmou que o GP do Brasil foi uma prova quase tão dura quanto a única corrida que perdeu este ano, para o espanhol Alex Criville em Barcelona. Largando na pole, caiu para quarto, mas retomou a ponta depois de três curvas. A partir daí, teve de poupar a moto. ‘‘Fizemos uma aposta na escolha dos pneus’’, contou. Doohan tinha seis compostos de borracha para optar e reclamou que não tivesse feito nenhum treino no mesmo horário da corrida, 11 horas por exigência da televisão. ‘‘Os pneus são muito sensíveis à temperatura do asfalto e não pude ter referência de qual composto usar.’
A equipe instalou um pneu mais mole na dianteira e Doohan ficou temeroso de este não resistir ao calor. Teve de diminuir o ritmo para evitar o desgaste e Okada chegou a ultrapassá-lo numa curva, mas imediatamente o australiano deu-lhe o troco. ‘‘Foi uma boa briga.’
No pódio, Doohan recebeu o troféu das mãos de Romário, a quem não conhecia. ‘‘Conheço o Ronaldinho porque ele foi a uma corrida na Espanha, mas este jogador eu não sei quem 钒, disse, desculpando-se: ‘‘Eu não sou um fã de futebol.’ Romário foi convidado pelos organizadores, mas não teve cachê: só pediu em troca 20 credenciais.
No autódromo, o craque do Valência foi assediado. Doohan disse que não se importava com a celebridade do jogador. ‘‘O status de uma pessoa não significa nada para mim’’, disse o ídolo do motociclismo. ‘‘O que importa é se ela é legal, simples, se age normalmente com as pessoas, e ele pareceu ser.’ Doohan, porém, é o oposto: de poucos sorrisos e palavras. O campeão se disse decepcionado com a falta de público. ‘‘Acho que no país de vocês as pessoas preferem corridas de carros.’
O brasileiro Alexandre Barros largou em 13º e estava em oitavo quando caiu na última curva. Na categoria 250 cc, o francês Olivier Jacque venceu acirrado pega com o japonês Tetsuyo Harada. Harada lidera o campeonato com 162 pontos, dois à frente do italiano Max Biaggi. Na 125 cc, o italiano Valentino Rossi, de 18 anos, ganhou pela oitava vez no ano e somou 220 pontos, 77 a mais que o japonês Noboru Ueda, segundo na prova. Os brasileiros Adílson Cajuru, César Barros, Carlos Medeiros, Renato Velludo e Eraldo Tomé ocuparam, nesta ordem, do 21º ao 25º lugar. Cristiano Vieira caiu a 2 voltas do fim.

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