'Donos' da São Silvestre já estão em São Paulo
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terça-feira, 30 de dezembro de 2003
Heleni Felippe<br> Agência Estado 
São Paulo Assim como o Brasil produz jogadores de futebol em série, o Quênia espalha pelo mundo os mais talentosos corredores em provas de longas distâncias. Na última década, os quenianos dominam as principais maratonas do mundo, as listas do ranking mundial e os pódios da São Silvestre - somam 11 vitórias desde 1992, três delas duplas, nas provas masculina e feminina, em 1993, 1999 e 2000.
Ninguém duvida que o campeão desta 79 edição da prova paulistana, amanhã, sairá do bloco de sete quenianos que competem em São Paulo, com favoritismo para Robert Cheruiyot, vencedor de 2002, e Martin Lel, ganhador da Maratona de Nova York, em novembro, e do Mundial de Meia Maratona de Portugal, em outubro. Também entre as mulheres, o Quênia tem uma favorita, Margaret Okayo, bicampeã da Maratona de Nova York.
Ontem, na entrevista que deram em São Paulo, os quenianos admitiram que são favoritos na prova. ''Como os brasileiros gostam de futebol, gostamos do atletismo'', tenta explicar Cheruiyot, cochichando no ouvido do intérprete, em um inglês de difícil compreensão.
Principais estrelas da prova, os quenianos Cheruiyot e Lel, mais Yusuf Songoka, de 24 anos, e Margaret Okayo apareceram usando a camiseta do Shopping Paulista - os cachês vindos de patrocínios individuais têm sido a fórmula encontrada pelos organizadores da corrida, nos últimos anos, para atrair estrelas internacionais e evitar o esvaziamento da prova. ''Vai ser uma prova difícil, com todos os quenianos competindo e os brasileiros também'', afirma Cheruiyot, garantindo que está recuperado de uma lesão na perna esquerda que o atrapalhou há cerca de três meses.
Se Cheruiyot, de 25 anos, tem a vantagem de conhecer o percurso ''ditar o ritmo na descida da Avenida Consolação é a parte mais difícil na estratégia da prova'', observa o franzino Lel, de 24 anos, é a bola da vez. Admite sua condição de ''estrela do atletismo internacional'' e seu agente, o italiano Frederico Rosa, observa que ''está entre os melhores do mundo, em todas as distâncias, de meia maratona a maratona''.
Lel, ex-balconista de loja no Quênia vive em Nairóbi e treina na altitude da cidade de Kapsabei, a 2.000 metros. Cheruiyot, terceiro na Maratona de Milão, em novembro, também é forte candidato ao título. O agente assegura que ambos estão bem preparados.
O bloco de quenianos tem sete corredores: Cheruiyot, Lel, Phlimon Rotich, Joseph Ngeny, Phillip Rugut e Benson Cherono, atletas da Fila, e Songoka, da Nike. Na prova feminina, além de Margaret Okayo a prova terá Deborah Mengich. A São Silvestre atrai pela tradição e a publicidade que tem no continente, uma vez que os cachês são pagos apenas para alguns atletas e os prêmios, em Real, (R$ 86 mil para os cinco primeiros, sendo R$ 17 mil para o campeão) não são tão expressivos. Os atletas também atendem a interesses dos patrocinadores (os quenianos, por exemplo, vão participar de doações de tênis na Casa Hope amanhã).
Margaret Okayo, de 28 anos, vice-campeã da São Silvestre em 2001, disse que está em boa forma: ''Mas é uma prova difícil, em que as brasileiras também correm bem.'' Okayo confirmou que está convocada pela Federação de Atletismo do Quênia para disputar a maratona nos Jogos Olímpicos de Atenas, em 2004.


