Aprovada no início da semana em reunião entre a CBF e os clubes das séries A e B, a redução do limite de estrangeiros no futebol brasileiro nos próximos anos gerou debate e teve, indiretamente, o Londrina como protagonista. O dono da SAF do Tubarão, Guilherme Bellintani, se posicionou como uma das vozes mais ativas quanto à medida, demonstrando incerteza sobre a eficácia da mudança.

A redução gradual começará em 2027, quando o limite de estrangeiros em súmula por partida passará de nove para oito, até chegar a cinco em 2030. Apenas três clubes votaram contra a proposta aprovada pela entidade máxima do futebol nacional, além do Londrina, também o Flamengo e o Bahia.

Em entrevista concedida no Rio de Janeiro, Bellintani questionou se a diminuição de estrangeiros no país pode impactar a competitividade do Brasileirão. O dirigente ressaltou que manifestou o seu ponto de vista mesmo que o projeto do Londrina esteja voltado à formação de jovens e à captação de atletas sub-23.

"Abre mais espaço para o jogador brasileiro e, teoricamente, há tendência de dar mais rodagem ao atleta jovem. Vamos ver se isso vai acontecer ou não, tenho dúvidas. Mas a liga brasileira perde competitividade como um todo, depois de performar muito bem nos últimos anos, com um domínio maior na América do Sul", destacou Bellintani. "A tendência é que se perca um pouco disso. Ou seja, há a vantagem de incentivar a formação local, mas a desvantagem clara é a perda de envergadura econômica e do potencial esportivo da liga."

Vale destacar que a contratação de estrangeiros não tem sido comum no Londrina desde que a Squadra Sports, de Guilherme Bellintani, assumiu oficialmente o clube, em junho de 2024. Desde então, chegaram ao LEC o volante paraguaio Marcelo Paredes, que disputou apenas 13 partidas e permaneceu poucos meses no clube, e o atacante uruguaio Emiliano Rodríguez, que entrou em campo sete vezes, marcou um gol e pediu dispensa.

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Mudança nos horários

Representantes dos 40 clubes do Brasileirão e das federações estaduais assistiram a uma apresentação do estudo da CBF Academy, que serviu de base para a revisão das diretrizes de inscrição e para a padronização das datas e horários das partidas das séries A e B.

No que diz respeito à grade de jogos, o levantamento apontou uma enorme dispersão nos últimos anos. De 2023 a 2025, a Série A utilizou 51 combinações diferentes de horários, enquanto a Série B registrou 81 variações.

Para reduzir a fragmentação, a nova proposta, esta aprovada por unanimidade, eliminou janelas consideradas prejudiciais ao torcedor, como os confrontos às 19h no meio de semana e os jogos no domingo à noite, além de evitar conflitos diretos de horário entre a primeira e a segunda divisão.

Pelo novo formato, a Série A terá o domingo como dia principal no fim de semana, com a janela das 16h como âncora. No meio de semana, as quartas-feiras concentrarão seis partidas na chamada "Super Quarta".

Já na Série B, o sábado passa a ser o dia chave, com três jogos fixos às 18h e quatro faixas de horário exclusivas em relação à Série A. Durante os dias úteis, as rodadas da Série B ficarão concentradas entre terça e quinta-feira, nos horários das 19h30 e 21h.

Equipes B e transferências internas

O encontro na sede da CBF também abriu espaço para propostas que visam flexibilizar a movimentação do mercado e ampliar a rodagem de atletas da base. Bellintani revelou ter apresentado a sugestão de permitir a criação de "equipes B" pelos clubes das séries A, B e C, a exemplo do modelo adotado por potências europeias.

"O Barcelona tem o Barcelona B, o Benfica tem o Benfica B, o Porto tem o Porto B, e a gente propôs que os clubes de Série A, de Série B, de Série C, qualquer que seja, possam ter um clube B para disputar competições e, assim, dar espaço para jovens também jogarem", disse Bellintani quanto ao tema.

Outro ponto levantado foi o fim da limitação para transferências de atletas entre equipes da mesma divisão no decorrer do campeonato. Atualmente, um jogador pode mudar de clube no Brasileirão desde que não tenha ultrapassado a marca de 12 partidas. A proposta em discussão prevê retirar por completo essa trava. Os dois temas devem ser discutidos na próxima reunião dos clubes com a CBF, com data ainda a ser marcada.

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