Extrema - Às vésperas do jogo mais importante do ano até agora amanhã, contra o River Plate , o goleiro Doni, do Corinthians, tem pensado muito em Fábio Costa, o goleiro do Santos que defendeu três pênaltis contra o Nacional de Montevidéu, garantindo a classificação santista para as quartas-de-final da final da Libertadores. E o pensamento nada tem a ver com inveja. Na verdade, Doni nem deseja a consagração de classificar-se com pênaltis defendidos. ''Olha, foi muito bonito, o Fábio merece, mas não quero isso para mim. Prefiro que a gente consiga a vaga sem precisar de pênaltis''.
Não que ele não saiba pegar pênaltis. Neste Brasileiro, defendeu três. ''Tenho melhorado muito nesse aspecto. Estou estudando bastante e me especializado, mas é bom passar logo e não ficar posando de herói depois. Quero que a minha consagração venha junto com todo mundo, com uma classificação garantida''.
A altura de Doni, 1,94m, é uma arma a mais para a hora da cobrança. ''Ele tem a possibilidade de ficar parado até o momento final, esperando o chute do adversário. Tem uma envergadura muito grande e pode pular para o canto que escolheu, depois que a bola foi tocada'', explica o ténico Geninho.
No treino de ontem, foram 50 cobranças. Doni pegou seis e mais quatro foram perdidas, duas para fora e duas na trave. O bom aproveitamento do goleiro foi minimizado pelos cobradores. ''O Geninho quer que a gente bata como se fosse no jogo mesmo. Não dá para improvisar nada. Então, o Doni já sabe como vai ser e defende'', brincava o zagueiro Fábio Luciano.
Apesar de todos dizerem que não pensam na decisão por pênaltis, há uma preocupação muito grande. As emissoras de TV foram proibidas de exibirem as cobranças e os jornais receberam um pedido para não dizerem em que canto os jogadores cobram. ''Se sair um gráfio dizendo onde meus jogadores cobram, eu estou morto. O trabalho vai por água abaixo'', exagera Geninho.
Doni está tranquilo. Tem suas armas. Vai estudar o modo como os jogadores do River cobram. Apenas uma coisa, garante que não vai fazer. ''Tem goleiro que chega no cobrador e tentar irritar o cara. Diz que vai pegar, isso ou aquilo. Não gosto muito disso, não. O adversário pode ficar com mais moral ainda''.

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