Domingos da Guia, o 'Divino', morre de derrame no Rio
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quinta-feira, 18 de maio de 2000
Agência Estado Do Rio de Janeiro 
O ex-zagueiro Domingos da Guia, 87 anos, morreu ontem, às 6 horas, em consequência de um acidente vascular cerebral (derrame), no Hospital Quarto Centenário, Santa Teresa, no Rio. Ele estava em coma, internado havia dez dias e respirava por aparelhos.
Segundo sua filha, Sandra da Guia, 42 anos, o pai gozava, nos últimos meses, de plena saúde e sua morte foi uma surpresa. O derrame aconteceu na manhã de 8 de maio e, imediatamente, Domingos da Guia foi levado para o Centro de Tratamento Intensivo (CTI) do hospital. De acordo com Sandra, Domingos da Guia era flamenguista e banguense, sendo que devotava verdadeira paixão pelo segundo time, no qual começou sua carreira.
No Rio, para o enterro de seu pai, o também ex-jogador Ademir da Guia, 52 anos, disse que a distância era o que os separava, já que mora em Alto de Pinheiros, em São Paulo. De acordo com Ademir, isso teria contribuído para tornar a relação entre os dois mais amável e afetuosa. Ele ainda elogiou o caráter do pai e lembrou, que além da saudade, guardará para sempre seus ensinamentos sobre o futebol. Ele me ensinou a ser honesto, leal com os companheiros e, mostrou como era difícil a vida de jogador.
Domingos da Guia morava com Sandra num confortável apartamento no Méier, era fiscal de rendas inativo e não enfrentava problemas econômicos. Teve quatro filhos, um já falecido, e sete netos. Seu enterro será hoje, às 9 horas, no Cemitério Jardim da Saudade, em Sulacap, Jacarepaguá.
Domingos da Guia jogou 20 anos como profissional e entrou para a história, fato raro para um zagueiro, como um dos mais brilhantes jogadores de todos os tempos. De 1929 a 1949 desfilou por gramados brasileiros e estrangeiros e disputou uma única Copa do Mundo, em 1938, na França. Depois dele, descobriu-se que os defensores também podiam ter habilidade. Dominar e conduzir a bola, driblar dentro da área e evitar os chutões deixaram de ser exclusividade dos atacantes. O Divino Mestre, como era chamado, chegou a dizer que deveria ter sido atacante e só virou zagueiro por acaso.


