Domingo é dia de pelada nas vilas de Londrina
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domingo, 26 de dezembro de 2004
Thiago Mossini<br> Reportagem Local 
''Alô. É da Rádio Londrina? Eu queria marcar um jogo.'' É desta forma que há mais de dez anos os craques do futebol varzeano londrinense marcam suas peladas de fim de semana e fazem a alegria dos bairros. Ao contrário dos ''clássicos'' do passado, os times estão mais estruturados, têm uniformes bonitos, comissão técnica e agasalho padronizado.
''O donos de times ligam na emissora e deixam o nome da equipe e o telefone para contato. Os interessados podem ligar na rádio ou direto para a equipe e combinar o confronto'', explica o locutor Antônio Marcos Gonçalves, que, junto com o também locutor Vanderlei da Galera, é o responsável pela organização das partidas. Algumas até são transmitidas.
Além de incentivar os jogos entre as vilas, a iniciativa foi tomada também para aumentar a audiência da emissora. E deu certo. ''Os técnicos pedem para os jogadores ouvirem e assim vai aumentando'', afirma Gonçalves. Em média são 60 confrontos por semana, todos marcados por meio da emissora.
Em cada amistoso, as duas equipes levam seus times aspirantes e titulares, que disputam um jogo cada. O mandante oferece uma garantia ao visitante, que pode variar entre R$ 70 e R$ 100, usada para pagamento de despesas com transporte. Alguns confrontos já são disputados com quatro jogos. Além dos aspirantes e titulares, as equipes levam os ''seberas'' formado por atletas bem veteranos e o time feminino.
A maioria dos titulares dessas equipes chega a disputar o campeonato amador da cidade. Outras equipes preferem ficar só na várzea, onde jogam apenas por prazer.
Muitos dos jogadores tentaram, frustradamente, fazer carreira no futebol. Passaram por escolinhas, clubes e peneiras, mas os mais variados fatores impediram a realização do sonho. ''Tive que largar porque era muito longe para eu treinar'', conta o volante Fabiano Soares, de 19 anos, da equipe do Distrito de Guaravera. Ele já tentou a sorte no Atlético Londrinense e na Portuguesa. Mesmo caminho seguido por Everaldo Batista da Silva, 18 anos, meia-atacante da equipe de Maravilha. ''A gente ainda tem a esperança de que, jogando aqui (na várzea), apareça um convite de algum time profissional'', confessa.
Mas as chances de algum talento ser descoberto no futebol amador são raras. ''Profissional é uma coisa, amador é outra. A diferença é grande, principalmente física, mas dá até para achar alguém, porém precisa lapidar'', descarta o presidente do Londrina, Agostinho Miguel Garrote.
Opinião semelhante tem o dirigente Mário Iramina, presidente do PSTC, a incubadora de craques que deu ao Brasil o pentacampeão Kléberson, além de Fernandinho, Alan Bahia, Jádson e Dagoberto, do Atlético Paranaense. ''É muito difícil. O garoto tem que ser preparado desde pequeno. Até existe a possibilidade, mas somente em times que não são de primeira linha'', observa Iramina.


