O jogo é hoje e o dia é domingo, de sol forte e muita poeira. No campo, entre os vinte e dois que vão correr atrás da bola por noventa suados minutos, estão Jabá, Musquito, Safira, Bonito e Rã. São nomes desconhecidos no mundo do futebol profissional e dificilmente apareceriam num jornal como ídolos. Mas no Campeonato Amador de Londrina eles são tão cobras quanto dezenas de outros boleiros de fim de semana que defendem seus times com garra de futebolista bem pago.
Em vez de um estádio bem construído, o palco da rodada em que estes personagens atuam é o campo da Fazenda Mantovani, em Cambé (13 km a oeste de Londrina). A torcida não tem arquibancadas, mas passa de 100 pessoas, número sem dúvida maior que o de alguns jogos profissionais de divisões inferiores.
E no meio da torcida, Santo Marques de Jesus, Hilário Neri e Pedro Mantovani, que acompanham o time da casa praticamente desde a sua fundação, há quase 55 anos. ‘‘Nós fomos jogadores do infantil, do aspirantes e titulares. Hoje acompanhamos todos os jogos e somos torcemos fanáticos,’’ explica Santo.
O jogo, marcado para as 15h30, só começa depois das 16 horas, mas isso não incomoda a torcida que se diverte jogando truco, tomando cerveja, conversando com os amigos, comendo um churrasquinho. As crianças são as que mais se divertem. Elas comem, brincam com os cachorros que passeiam por ali, jogam bola e torcem pelos pais e amigos.
A partida é de amadores, mas o ritual é de profissionais. O Palmeirinha, time visitante que veio de Primeiro de Maio, faz o alongamento, se reúne para as últimas instruções do técnico Valdir Zancheta, faz a oração e dá o grito de guerra à moda dos Mosqueteiros: ‘‘ Um por todos e todos por um’’.
As mulheres formam um pequeno grupo e são as que mais incentivam e cobram o time e o árbitro. Gritam palavras de incentivo, xingam juizes e adversário. A torcida do Palmeirinha é menor, mas tem a chance de comemorar primeiro. Willian marca logo no início da partida.
Eliane Nóbrega Marigo e Regiane Diotto dos Santos são amigas e vão sempre aos jogos. As duas têm histórias parecidas. Começaram a ir aos jogos cedo, uma porque gostava de futebol, outra por causa do namorado. Aliás, namoraram e se casaram com jogadores do Mantovani e continuam acompanhando os maridos até hoje.
‘‘Eu gosto de futebol, sempre gostei. É a nossa forma de lazer, de estar junto do marido’’, diz Eliane. Regiane é uma das que mais incentivam os jogadores e parece entender do que fala. No final da partida os gritos de Regiane valeram. O Mantovani venceu o Palmeirinha por 3 a 2. Vitória de um, derrota de outro. E o domingo chega ao fim.

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