Dois mil vão a velório e Oscar critica indiferença do público
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sábado, 29 de maio de 1999
Por Carla Franco 
São Paulo, 30 (AE) - Cerca de 2 mil pessoas, entre admiradores, políticos e esportistas, estiveram presentes no velório do ex-recordista mundial de salto triplo João Carlos de Oliveira, o João do Pulo, na Assembléia Legislativa de São Paulo
neste domingo. O corpo do atleta deixou a capital por volta das 16 horas, com destino a Pindamonhangaba, cidade natal do esportista, no interior do Estado.
João do Pulo morreu ontem (29), às 22 horas, no Hospital da Beneficência Portuguesa, na zona sul de São Paulo. O ex-recordista e ex-deputado, de 45 anos, estava internado desde o dia 29 de abril. De acordo com os médicos, a causa da morte do atleta foi "falência total" dos órgãos vitais em decorrência de cirrose hepática e infecção generalizada.
O corpo de João do Pulo será velado na Câmara Municipal de Pindamonhangaba até a manhã desta segunda-feira (31). O enterro está marcado para as 9 horas, no cemitério municipal da cidade. Vários políticos e personalidades passaram pela Assembléia Legislativa neste domingo, entre eles o governador Mário Covas (PSDB), o prefeito Celso Pitta (sem partido), o senador Eduardo Suplicy (PT-SP), o jogador de basquete Oscar Schmidt e o judoca Aurélio Miguel. A Confederação Brasileira de Atletismo decretou luto de três dias pela morte do atleta.
DESABAFO - Durante o velório, o jogador de basquete do Flamengo Oscar Schmidt fez um desabafo emocionado. Bastante abatido, Oscar lamentou a morte do atleta e mostrou-se indignado com o que considerou uma falta de reconhecimento da importância de João do Pulo por parte da população.
"O que mais me dói é que a gente perdeu um dos maiores ídolos da História e o Ibirapuera, do outro lado da rua, está formigando de gente se divertindo, enquanto aqui não há as pessoas que ele merece", afirmou Oscar, em referência ao Parque do Ibirapuera a maior área de lazer da cidade. "A memória, infelizmente, é curta: ou o cara vai no auge ou pouca gente se lembra dele", desabafou. "Isso não dá para perdoar."
O jogador comparou João do Pulo ao velocista norte-americano Carl Lewis e disse que sentia orgulho do ex-recordista mundial. "A gente não tem guerra para defender o País", disse. "A nossa única guerra positiva é o esporte." O governador Mário Covas esteve no velório no início da tarde. Ele lamentou a morte do esportista, que classificou de "atleta excepcional" e "parlamentar com passagem muito digna pela Assembléia".
"É uma perda muito grande", avaliou Covas. "Ele era alguém com que a gente sente afinidade mesmo que não conheça pessoalmente", completou.
O governo de São Paulo divulgou nota oficial lamentando a morte do ex-recordista mundial. "São Paulo e o Brasil perderam um filho querido, um herói do esporte, alguém que nos encheu de orgulho e a quem devemos muitos momentos de felicidade. Foi também um deputado operoso, que dignificou o legislativo. São Paulo está de luto", afirma o texto.


