Dois londrinenses fazem parte do 'staff' técnico
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sábado, 19 de julho de 2003
Claudio Yuge<br> Reportagem Local 
Adrenalina e velocidade. Perícia e resistência. Coragem e força. São apenas alguns dos ingredientes do Rally Internacional dos Sertões, que terá na edição deste ano recorde de inscrições, com 221 veículos, e começa na próxima quarta-feira. Mas engana-se quem pensa que os quesitos citados acima se restringem apenas às equipes que vão correr.
Além de Elias Folly, que vai disputar a categoria das motos, dois outros londrinenses viajam para participar do rali, mas não para correr. Eles fazem parte organização técnica da competição. O advogado Tarlom Lemos, 33 anos, e o proprietário de uma loja de doces, Emílio Baccaro Neto, 53 anos, integram a equipe que vai cuidar de todos os detalhes para que a prova seja realizada com sucesso.
''A principal preocupação é com a segurança. Todas as motos têm equipamento de rádio e temos comunicação com todos os participantes para monitorar possíveis problemas durante os trechos da prova'', explica Lemos. Além disso, aviões fazem o rastreamento dos participantes para comunicar à central de dados cada quilômetro percorrido por cada um dos veículos. ''Assim podemos identificar o avanço de cada um e também evitar problemas para a conclusão da etapa'', completa o advogado. Em caso de acidentes, um helicóptero está à disposição para o transporte de possíveis vítimas.
Os 3.825 quilômetros do rali, entre Goiânia e São Luís, são divididos em etapas, com trechos especiais, caracterizados pela dificuldade de progressão. Como parte do desafio, os pilotos enfrentam obstáculos naturais e dificuldades provenientes de um temporal, por exemplo. Porém, outras adversidades são administradas pela organização para que a prova prossiga. ''Certa vez um fazendeiro tinha um caminhão de leite no trajeto e fomos obrigados a negociar, comprando o veículo para liberar a pista'', lembra Baccaro Neto, que já participou da organização das outras edições do rali.
Lemos, piloto de Enduro, e Baccaro Neto, que corre nas provas da categoria Raid, são fanáticos pela aventura e decidiram participar da organização justamente como mais uma parte do desafio. ''Temos que conhecer a prova, o trajeto e ter uma boa orientação geográfica. Além disso, assim como na corrida, é preciso ter decisão rápida na hora de lidar com o improviso. Fora isso, a gente chega a emagrecer de cinco a seis quilos por ficar sem comer e dormir, trabalhando. Começamos a preparar as coisas antes da corrida começar e ficamos após o término de cada etapa''.
É claro que todo corredor gosta mesmo é de competir. Mas os dois afirmam que fazer parte da equipe que vai proporcionar uma boa organização do evento é tão gratificante quanto estar atrás do volante. ''Ficamos 12 dias trabalhando bastante. Mas fazemos muita amizade. Todo mundo acaba se conhecendo e depois do rali continuamos em contato e sempre estamos fazendo viagens em conjunto. E isso é o que vale mais a pena'', garantem.


