Dois jogos distintos
Sempre que um título se decide em duas partidas, os dois times, técnicos e jogadores, vêem com o mesmo blá-blá-blá: ''é um jogo de 180 minutos'' e coisa e tal. Pura retórica furada. São dois jogos autônomos, com características distintas. Um bom exemplo está ocorrendo no Rio. O primeiro Vasco x Fluminense teve um peso; o segundo, terá outro inteiramente diferente. No primeiro, o Vasco levava a pequena vantagem do empate. Hoje, depois dos 2 a 1, a precedência cruzmaltina está de tal modo reforçada que deixa seu time em situação muito mais confortável do que no primeiro jogo.
Não dá pra negar que, a essa altura, os melhores trunfos pertencem, mesmo, ao time do Vasco. Que, aliás, jogou a primeira melhor que o time do Fluminense. Vi-o, tempo todo, bem mais senhor da partida, ainda que sem brilho coletivo. Foi, porém, mais objetivo e, sobretudo, mais decidido, em matéria de luta, de garra. A todo instante, o cerco a qualquer adversário era implacável. Acho até que o time passava do limite nas disputas corpo-a-corpo. Daí, ter ido às nuvens o índice de faltas no jogo. Ao todo, nada menos de 70 infrações. Não há espetáculo que se recomende com essa dose de antijogo. O Vasco fez 45 faltas, o Fluminense, 25, que por si só já comprova, primeiro, que a partida não foi das melhores; segundo, que os times são limitados tecnicamente.
Um elemento, a meu ver, muito expressivo na vitória vascaína foi a exibição do jogador Marcelinho, o grande solista da partida, principalmente, quando cobrava falta ou córner. Marcelinho já tornou absolutamente irrelevante a ausência de Petkovic. Ele está ocupando na equipe e no coração da torcida o lugar que vinha sendo do gringo. Até com uma vantagem: Marcelinho é mais simpático, pouco importa que um tanto artificial na celebração de um gol. Em matéria de bola parada, que era o forte de Pet, aí, então, nem se fala. Marcelinho leva a torcida ao delírio, sem contar que joga pra cima a auto-estima do resto da equipe. Digo mais: não há, nem por aqui, nem lá fora, alguém que bata na bola, com tamanha precisão e com tanto veneno. O chute de Marcelinho é mortal.
Ter o privilégio de poder empatar. Ter até mesmo o direito de perder por um gol de diferença. Ter na equipe um jogador como Marcelinho, convenhamos: quem joga uma final com tantos trunfos nas mãos, digo, nos pés, não pode deixar de ser favorito. O que não quer dizer que o título já esteja no papo. O Fluminense sabe muito bem que o futebol é mestre em quebrar a castanha de favorito.
A salvação do Paulista
O Campeonato Paulista não foi grande coisa. Futebol de segunda, público sempre escasso, emoções em baixa. Até que chegou a fase decisiva, pondo em confronto São Paulo e Corinthians. Aí, um único jogo já deu pra fazer esquecer jogos e mais jogos de total mediocridade. Espero, ardentemente, que a partida de ontem tenha sido tão arrebatadora quanto foi a primeira. Infelizmente, por questão de logística, o jornal me pede que entregue na sexta a coluna de domingo. Assim, só poderei falar da finalíssima paulista quarta-feira que vem. É o que prometo fazer.
Fim de papo
Volta e meia, chega uma notícia negativa sobre Ronaldinho Gaúcho: um dia, ele está saindo do PSG; outro, o técnico Luiz Fernandez não aguenta mais o vedetismo do jovem craque. Os próprios jornais franceses vivem pegando no pé do nosso campeão.
Pelo visto, aliás, pelo lido, o treinador do PSG perdeu a paciência. Em recente entrevista coletiva, Fernandez soltou o verbo, denunciando uma trama pra jogá-lo contra Ronaldinho. Eis o que diz o técnico: ''Ronaldinho me faz sonhar, quando estou no banco, vendo-o jogar. Ele é um gênio que ilumina o jogo. Eu sei disso há muito tempo, mas, infelizmente, um jornal insiste em fazer intriga entre nós dois.''
Ronaldinho não é um gênio, mas, pro meu gosto, é o jogador mais talentoso da seleção brasileira. Pela constãncia, pelo repertório, pela elegância do estilo. Acho, mesmo, que Ronaldinho foi o grande nome da seleção campeã mundial em 2002.
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