Dois consórcios disputarão Maracanã
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quinta-feira, 11 de abril de 2013
Tiago Rogero<br>Agência Estado 
Rio - Somente dois consórcios, cada um formado por três empresas, apresentaram propostas na licitação para concessão do estádio do Maracanã à iniciativa privada. A sessão de abertura das propostas, ontem, foi marcada pelo protesto de cerca de 200 pessoas em frente ao Palácio Guanabara, sede do governo do Rio de Janeiro - que conseguiu caçar na madrugada desta quinta a liminar do Ministério Público estadual que suspendia a licitação. Ainda não há previsão para o anúncio do vencedor.
Em um dos consórcios, que recebeu o nome de Maracanã S.A., estão nada menos que uma das construtoras responsáveis pela atual reforma do estádio (a Odebrecht) e a empresa responsável pelo estudo de viabilidade econômica, ponto de partida para o edital de licitação: a IMX, do empresário Eike Batista. Completa o consórcio a AEG, sediada nos Estados Unidos, parceira da WTorre na futura gestão da Arena Palestra, do Palmeiras, e da Odebrecht na Arena Pernambuco, no Recife.
O outro consórcio, "Complexo Esportivo e Cultural do Rio", é encabeçado pela Construtora OAS, responsável pela construção das arenas do Grêmio (Porto Alegre), das Dunas (em Natal) e Fonte Nova (Salvador). Ao lado da OAS, a holandesa Stadion Amsterdam N V (dona da arena do Ajax) e a francesa Lagardère Unlimited, de marketing esportivo.
Por causa do protesto, que durou três horas e fechou a rua em frente ao Palácio, a sessão de abertura das propostas, marcada para as 10 horas, só começou às 11h22. Isso depois de uma discussão entre o presidente da comissão de licitação, Luiz Roberto Leite, e os deputados estaduais Janira Rocha e Marcelo Freixo, ambos do Psol, que exigiam o acesso dos manifestantes ao auditório do prédio. "A licitação, por lei, deve ser aberta ao público. O senhor está cometendo uma ilegalidade", disse Freixo ao presidente da comissão.
Depois de muita discussão, o secretário estadual de Casa Civil, Régis Fichtner, foi chamado e autorizou a entrada de uma "comissão" formada por quatro manifestantes. Freixo foi até a porta do Palácio e voltou com a resposta: o grupo se negou a indicar representantes - ou todos entravam, ou ninguém. "Vamos recorrer à Justiça. O governo não permitiu o acesso do público", disse o deputado.
Segundo o secretário de Casa Civil, foi liberada a entrada de somente quatro manifestantes para garantir a "integridade física" de representantes de empresas e do governo. "Não poderia permitir que pessoas que vieram aqui para fazer baderna e inviabilizar a sessão entrassem", disse.
Nos próximos dias, a comissão de licitação vai julgar as garantias apresentadas pelos consórcios. O resultado - se ambos estão habilitados a concorrer - será divulgado no Diário Oficial do Estado e, só depois, terá início a análise das propostas.


