São Paulo - O dia 17 de dezembro de 2009 ficará marcado para sempre na memória de Dodô. Nessa data, depois de ser flagrado no exame antidoping em julho de 2007 por uso da substância femproporex, que serve para a perda de peso, ele voltou a sentir a emoção de ser jogador de futebol. Afinal, foi a sua apresentação ao Vasco, clube onde o atacante, de 35 anos, marcará seu retorno aos campos após cumprir a suspensão de dois anos imposta pela Corte Arbitral do Esporte (CAS).
Dodô defendia o Botafogo na época do doping e teve de parar por um longo tempo. ''A punição foi totalmente injusta. Você fica chateado porque está sendo punido por uma coisa que não fez. Mas se eu ficasse cabisbaixo, não ia resolver'', disse o atacante, feliz por poder voltar ao futebol. E ele garante que terá condições de estrear já na primeira rodada do Campeonato Carioca, no dia 16 de janeiro.
Agência Estado - Qual foi a sensação do retorno ao futebol?
Dodô - Era tudo o que eu queria terminada a suspensão, terminado tudo o que aconteceu, de não poder estar jogando... O primeiro passo era ficar livre da suspensão e aconteceu de eu ficar livre. O segundo passo era receber convites dos clubes e aconteceu de eu receber o convite de um clube como o Vasco, que me interessou bastante. Ao contrário do que muita gente falou, foi bem rápida a conversa, não teve nada do que se noticiou (Dodô teria pedido muito dinheiro). A gente acertou e eu estou muito feliz.
AE - E a saudade do futebol?
Dodô - Claro que eu estava, por isso que eu quis voltar. Desde o momento em que saí suspenso eu tinha só uma certeza: de que ia voltar a jogar. O time não era o mais importante. O que importava mais nesse período que eu fiquei afastado era poder ter condições de voltar a jogar e isso aí aconteceu também.
AE - O que você fez nesse período em que ficou parado?
Dodô - Treinei cinco vezes por semana, todas as semanas. Acho que só em uma semana do ano eu fiquei sem treinar. No resto, treinei em todas, de segunda à sexta, com um planejamento de treino da academia onde escolhi. Foi super legal porque eu tinha uma rotina de treinos que não era eu que fazia. São os profissionais de lá que fazem isso para mim até hoje. É continuar treinando até terminar o Natal. Aí eu vou dar um descanso para voltar legal para a pré-temporada no Vasco.
AE - Quando soube da punição, o que passou pela sua cabeça, no que se apoiou para enfrentar isso?
Dodô - Eu não acreditava que fosse ser punido. Depois que fiquei sabendo que poderia ser uma punição lá de fora (Corte Arbitral do Esporte, em Lausanne, na Suíça), como aconteceu, e totalmente injusta, você fica chateado porque está sendo punido por uma coisa que não fez. Mas se eu ficasse cabisbaixo, pra baixo, não ia resolver. Sempre pus na minha cabeça que ia passar esse ano treinando para poder voltar e fazer as coisas que eu não fazia quando jogava. Procurar aproveitar a família, os meus filhos, os amigos, sempre com muita fé em Deus. Passou e o mais legal foi que, quando terminou a suspensão, eu tive algumas conversas com alguns clubes e foi quando pintou o negócio do Vasco e eu fiquei muito feliz.
AE - Na escolha pelo Vasco pesou o fato de você ter jogado no Botafogo e no Fluminense e conhecer o futebol do Rio de Janeiro?
Dodô - Não tem nada a ver. O clube que por ventura eu viria a jogar, e acabou sendo o Vasco, não era muito importante para mim agora. Eu queria estar em condições, com esse planejamento de treinos que a gente fez. Fiquei feliz porque o Vasco é um time que estava na segunda divisão e subiu, está com muita disposição. O Roberto Dinamite (presidente vascaíno) é um cara que eu já conhecia do Rio, um cara positivo, do bem. E é uma casa nova para mim. Como eu fiquei um ano sem jogar eu queria uma coisa nova mesmo, para voltar tudo novo. E coincidiu de o Vasco ter interesse. Fiquei feliz com o fato de ter ido lá e todo mundo se surpreender com a minha forma física. Para mim foi muito legal.
AE - Que projeção você faz do Vasco para 2010?
Dodô - Eu acho que é um time jovem, com muitos garotos que também vão querer se firmar em time grande. Como a maioria dos clubes do Rio, faz investimento mais baixo que os de São Paulo, mas com vontade. O Vagner Mancini é um cara novo, com uma cabeça boa também. Acho que é um time que tem vontade. Isso que é o mais importante. Com vontade e aliando qualidade em alguns setores do campo, tem tudo para fazer um time competitivo, que é o que a gente quer.
AE - Promessa de muitos gols bonitos?
Dodô - Isso aí está em segundo plano. Eu estou muito feliz de estar voltando, de poder estar em um grande clube de novo. Agora é treinar, porque eu me preparei para voltar. Espero não sentir tanto a falta de jogo, porque fiquei muito tempo sem atuar. Tenho certeza que a pré-temporada vai ser boa. Hoje já estou bem preparado para voltar e treinar normalmente com o pessoal para ver se já no primeiro jogo eu possa estar em condições.
AE - Pensou em encerrar a carreira por causa da suspensão?
Dodô - Não. Isso não, porque, da forma que tudo aconteceu, tão injusta, não podia ficar assim, não dava. É uma coisa que nunca passou pela minha cabeça. Agora que eu vou voltar a jogar aí, sim, a gente vai ver como vai ser, a gente nunca sabe o que vai acontecer no dia de amanhã. Mas estou com bastante disposição para fazer uma temporada muito boa. Aí, na próxima, a gente vai ver o que ocorre.

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