São Paulo - Há uma forte possibilidade de o hipismo do Brasil ter um protagonista diferente na Olimpíada de Londres. Integrante das equipes que ganharam medalha de bronze nos Jogos de Atlanta, em 1996, e de Sydney, em 2000, Álvaro Affonso de Miranda Neto, conhecido como Doda, sempre foi considerado um cavaleiro de alto nível, mas agora poderá passar da posição de parte importante da seleção brasileira para principal esperança de pódio na competição olímpica individual. ''Não vou sossegar enquanto não conquistar a medalha de ouro individual'', revela.
A Federação Equestre Internacional (FEI) divulgou na última terça-feira a lista atualizada do ranking mundial, no qual Doda, que no próximo domingo comemora 39 anos, é o melhor brasileiro - 10º colocado -, muito à frente do campeão olímpico Rodrigo Pessoa, que está em 45º lugar, e de Bernardo Alves, em 52º - a liderança é do sueco Rolf-Göran Bengtsson. Como o Brasil já está classificado para os Jogos de Londres na competição por equipes, que garante a presença de cinco conjuntos, é muito pequena a chance de Doda ficar de fora do grupo que representará o País em Greenwich Park.
Doda vem embalado pelos bons resultados em 2011, que lhe deram mais confiança e, segundo ele, respeito por parte dos rivais. ''No ano passado, eu consegui ganhar 14 grandes prêmios, mais de um por mês. Se você for comparar com outros anos, o máximo que conseguia fazer eram quatro ou cinco'', disse o cavaleiro.
A empolgação, no entanto, não o impede de lembrar que Olimpíada é uma outra situação. ''É claro que é um caminho muito difícil, no qual enfrentarei cavaleiros com mais experiência, mas pela primeira vez sei que, se a medalha vier, ela não será por acaso'', avaliou, sem esquecer se tudo sair como planejado, também terá ajuda da sorte, de estar no ''dia abençoado''.
Doda revela que a boa fase está aliada a uma grande dedicação aos treinos. ''Fiz o meu dever de casa igual a todo mundo ou pelo menos não abaixo de ninguém'', disse, confiante. ''Corro entre 10 e 12 quilômetros por dia e estou voltando ao peso que tinha em 1996, entre 80 e 81 quilos (tem 1,87m).''
A preparação tem sido realizada no centro de treinamento de 18 alqueires, que montou há um ano e meio na cidade holandesa de Valkenswaard, próxima de Eindhoven. O local conta com uma réplica da pista de competições da lendária Aachen, mais um picadeiro coberto climatizado, trilha em floresta, entre outras comodidades para 26 animais.
Cavalo, um calcanhar de Aquiles em outras oportunidades, não deve ser problema para Doda em 2012. Além de AD Ashleigh Drossel Dan, o cavaleiro terá como segunda opção Bogeno, filho do campeão olímpico Baloubet du Rouet. A situação é um fator a mais de tranquilidade para o brasileiro, que em outras edições da Olimpíada, em especial a de 2008, em Pequim, chegou a ter seu desempenho prejudicado pela contusão de suas montarias.
Doda mira o ouro olímpico e um natural protagonismo, mas a ambição, garante, não significa substituir a amizade com Rodrigo Pessoa pela rivalidade. ''Mesmo que ele entre na Olimpíada como número 50 do ranking, para mim ele sempre vai ser o melhor cavaleiro do Brasil'', definiu, lembrando de suas participações decisivas nas principais conquistas do hipismo brasileiro. ''Impressionante a quantidade de percursos sem falta que fez nestas competições.''

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