Agência Folha
De São Paulo
A dificuldade em obter um documento na FPF (Federação Paulista de Futebol) é a explicação oficial do São Paulo para ter adiado o início de sua ação na Justiça comum, que tenta reaver os pontos perdidos no TJD para o Botafogo-RJ, de ontem para hoje. ‘‘Estávamos preparados para entrar com a ação hoje (ontem), mas está faltando um documento cujo teor eu não posso revelar’’, afirmou o advogado Marcílio Krieger, contratado para comandar o processo legal.
Segundo Krieger, a ação deve ser protocolada na Justiça hoje – na Vara Federal de São Paulo ou na Estadual do Rio. Já está definido que será o Sindbol (Sindicato das Associações de Futebol Profissional do Estado de São Paulo) que irá encabeçar a ação legal na Justiça comum.
Krieger disse que o São Paulo irá contestar na Justiça a resolução de diretoria editada em 1997, que mudou o artigo 301 do CBDF (Código Brasileiro Disciplinar do Futebol), que foi a brecha legal que permitiu ao Botafogo-RJ tomar os pontos da equipe paulista. Krieger afirma que essa mudança só poderia ter sido realizada por uma portaria ministerial.
Mais um ponto – O Inter obteve ontem, por meio de um recurso, o segundo ponto que reivindicava do São Paulo em razão da escalação irregular de Sandro Hiroshi na partida em que os dois clubes empataram em 2 a 2, no dia 10 de outubro. Com a nova decisão, o Inter entraria em campo à noite para enfrentar o Palmeiras, no Estádio Beira-Rio, em Porto Alegre, em melhores condições de permanecer na Séria A.
Na noite de anteontem, a Comissão Disciplinar havia concedido apenas um ponto ao Inter, e não dois, como os gaúchos desejavam. Os auditores entenderam que tinha de ser revertido apenas o ponto ganho pelo São Paulo no empate de 2 a 2.
Como o Botafogo havia perdido do São Paulo no campo por 6 a 1 e conseguido no ‘‘tapetão’’ os três pontos, também reclamando da escalação de Sandro Hiroshi, o Inter decidiu recorrer da decisão, considerada uma ‘‘aberração’’ por seu presidente, Paulo Rogério Amoretty.
Na opinião de Amoretty e de outros diretores e advogados do Inter, a decisão tinha criado uma situação ‘‘esdrúxula , pois o clube teria creditado dois pontos no confronto contra o São Paulo, quando o regulamento prevê que uma vitória no campeonato vale três pontos. Ontem, o Inter recorreu da decisão da Comissão Disciplinar, no Rio. Alegou que havia sido considerada no julgamento uma resolução já superada por outra, mais atual. O argumento contribuiu para a vitória do recurso do clube. ‘‘Foi reparada uma injustiça’’, disse Amoretty.
Bloqueados – O diretor do Departamento de Registros da Confederação Brasileira de Futebol, Luís Gustavo, confirmou ontem que existem vários registros bloqueados de atletas que estão atuando no futebol brasileiro. O presidente do Tribunal de Justiça Desportiva, Sérgio Zveiter, admitiu que deve pedir à CBF a relação desses atletas.

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