Documentário mostrará vida de Telê Santana
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quarta-feira, 01 de julho de 2009
Bruno Lousada<br> Agência Estado 
Rio - Falar da história do futebol brasileiro sem citar Telê Santana é ignorar um dos grandes personagens do esporte mais popular do País. Ao longo dos 50 anos de convivência com a bola e o campo, seja como jogador ou treinador, Telê sempre valorizou o jogo limpo, bem praticado e sem violência.
O documentário Meio Século de Futebol Arte, obra das jornalistas Ana Carla Portella e Danielle Rosa, é uma forma de perpetuar tais ensinamentos e de homenagear o mestre Telê, que morreu em 21 de abril de 2006, aos 75 anos. Com duração de 70 a 90 minutos, o filme deve ser lançado em agosto ou setembro e é dedicado aos amantes do futebol-arte.
A vontade de fazer um documentário relacionado ao futebol sempre existiu e tal desejo ficou ainda maior quando Ana Carla e Daniele perceberam que não havia tantos livros e filmes sobre a carreira de Telê, de quem são fãs não apenas por torcerem pelo São Paulo. Não queriam deixar os feitos do ''mestre'' caírem no esquecimento. Após a conclusão do curso de jornalismo, decidiram registrar essa bela trajetória num documentário. E nem a falta de patrocínio foi capaz de desanimá-las.
As duas jornalistas tocam há quatro anos esse projeto, que já custou cerca de R$ 500 mil, com os próprios recursos. ''Por isso, essa demora toda (em finalizar o trabalho)'', brincou Ana Carla. ''Mas quero arrumar uma parceria para bancar o lançamento e a distribuição do DVD''. O objetivo principal do filme é mostrar a importância de Telê para o futebol, citando suas conquistas e os contratempos que o técnico enfrentou durante a carreira por conta do temperamento forte e jeito ranzinza.
Homem simples nascido em Itabirito, interior de Minas Gerais, Telê nunca abriu mão da disciplina e, por causa do estilo durão, envolveu-se em grandes polêmicas. Cortou Renato Gaúcho da seleção brasileira que iria para a Copa de 1986, no México, porque o jogador chegou tarde à concentração. Melhor amigo de Renato Gaúcho, o lateral direito Leandro pediu dispensa e saiu da equipe, gerando uma crise. E o time voltou para casa sem o troféu.
''As pessoas batiam de frente com ele e não dava. Muitos não aguentaram e os que aguentaram se deram bem'', comentou Ana Carla, que entrevistou mais de 80 pessoas, entre as quais o próprio Renato Gaúcho e o controverso ex-presidente do Vasco Eurico Miranda, chefe da delegação brasileira em 1986.
Até a imagem de Telê atuando pelo Fluminense, na década de 50, elas conseguiram captar. Foi nas Laranjeiras que ele construiu sua carreira como jogador - atuou com a camisa tricolor por 12 anos e ganhou o apelido de Fio de Esperança.
Ao se tornar treinador, virou mito. A seleção brasileira que dirigiu na Copa do Mundo de 1982 encantou o mundo, com um futebol vistoso, envolvente e deslumbrante. Faltou o título. ''Foi o único treinador que vi que em nenhum momento mandava fazer falta, parar a jogada, dar pancada e exigia dos seus jogadores que desarmassem os adversários na bola e que jogassem futebol'', declarou Zico, em depoimento ao documentário.
Sua passagem pelo São Paulo, na década de 90, mereceu um capítulo à parte. Pelo time do Morumbi, Telê conquistou mais de dez títulos, entre eles duas Libertadores e dois Mundiais. Até hoje é idolatrado pela torcida são-paulina.
''Muitas pessoas dizem que Telê teve seu auge no São Paulo. Conhecendo a carreira dele (treinou também Flamengo, Fluminense, Grêmio, Al-Ahly, da Arábia Saudita, Palmeiras e Atlético Mineiro), você vê que não. Foi um auge a carreira toda, mesmo na seleção'', comentou Ana Carla.
Telê era obcecado pelo trabalho, detalhista, exigente, disciplinador, paizão, ranzinza, competente e vitorioso. Simplesmente inigualável.


