Do vício ao esporte de resistência
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terça-feira, 10 de setembro de 2002
Guilherme Gouveia<br> Reportagem Local 
O empresário José Luis de Souza, 43 anos, sabe muito bem até onde vão os limites do corpo humano. Ele conhece o lado sombrio do mundo do alcoolismo, mas tem hoje uma resistência capaz de suportar desafios inimagináveis para a maioria das pessoas. Em 1995, Souza decidiu abandonar o vício e adotar o esporte como estilo de vida. Hoje, 14 quilos mais magro, o empresário lamenta o tempo perdido, mas sente-se feliz com a nova oportunidade que o destino lhe deu: uma vida de triatleta. ''Eu estava no meu limite. Quando percebi que não tinha mais forças para sair da água sozinho, resolvi largar a bebida'', disse, lembrando uma cena que considera lamentável, quando precisou da ajuda de amigos para sair do Lago Igapó. ''Eu vivia para beber e bebia para viver.''
De lá para cá, as coisas mudaram para José Luís, natural de Londrina, casado e pai de dois filhos já adolescentes. A bebida compulsiva ficou para trás e os passos para chegar ao triathlon foram rápidos. Em 96, começou a fazer caminhadas e praticar o esqui-aquático, sem muita responsabilidade com resultados. ''Tudo que aparecia pela frente eu fazia. Estava com um gás muito grande. Comecei também a fazer ciclismo. Em 97, venci minha primeira prova de duathlon, aqui em Londrina'', lembra.
Hoje, Souza é um triatleta experiente com mais de 100 provas na bagagem. No próximo dia 15, domingo, irá reprentar o País no Campeonato Pan-Americano de Triathlon, na categoria 40 a 44 anos, com largada marcada para a praia de Copacabana, no Rio de Janeiro. ''Meu primeiro objetivo é terminar a prova e conquistar o melhor tempo possível. Não sei como vai estar o nível da competição, já que virão atletas de vários países'', ponderou.
Recentemente, Souza enfrentou uma desilusão que ainda custa para ser esquecida. Seu grande sonho é competir no Ironman Havaí, prova de proporções gigantescas, que reúne os mais resistentes atletas do planeta. Para isso, teria de terminar o Ironman Brasil, em maio, em Florianópolis, entre os cinco primeiros. Só que a sorte não estava ao seu lado. Uma pane elétrica em seu carro, ainda na cidade de Curitiba, o deixou ausente da prova. ''Cheguei dez minutos atrasado e não consegui pegar o kit. Foi uma tremenda decepção. Não sei se conseguiria me classificar, mas tinha tempo para ficar entre os dez primeiros'', afirmou.
Determinado, o triatleta afirma que vem se recuperando do ''baque'' e já desenvolve um trabalho específico objetivando a seletiva do Ironman, em 2003. ''Meu sonho é competir no próximo ano ou no máximo em 2004, quando mudo de categoria'', projetou. Mesmo irredutível na idéia, o atleta sabe dos riscos que correrá em participar de uma prova forjada para uma fração mínima de competidores. ''No Ironman corremos o risco de ficar com sequelas após o final da prova. A falta de oxigênio no cérebro é um dos problemas graves. Muitos atletas são eliminados pelos médicos antes mesmo de terminar a prova'', ponderou.


