Do outro lado
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quinta-feira, 21 de julho de 2016
Lucio Flávio Cruz<br>Reportagem Local 

Após quase 30 anos correndo atrás da bola pesada, chegou a hora de mudar de lado. O fixo londrinense Marcio Forte está encerrando a carreira de jogador para assumir um novo desafio, que será repassar todo o seu conhecimento para as futuras gerações do futsal.
E a nova etapa da vida será justamente onde Marcinho mais brilhou. Após dois anos, ele volta a Itália para coordenar as categorias de base do Pescara e também trabalhar como auxiliar técnico do time principal. "Tinha em mente continuar um ou dois anos. Mas, as coisas não aconteceram como eu imaginava aqui no Brasil. Troco o foco sem nenhum problema e fico feliz pelas coisas acontecerem desta forma na minha vida. Fecha-se uma porta e logo se abre outra", ressaltou o fixo, de 39 anos.
Marcinho começou a jogar aos 10 anos e atuou por 12 anos no futsal italiano, onde conquistou títulos importantes como o Nacional e Champions League. Foram oito anos vestindo a camisa da seleção italiana, sendo quatro deles como capitão. "É muito difícil conseguir chegar a este ponto sendo um ítalo-brasileiro. Nunca fui um jogador técnico, mas acredito que o respeito que tenho lá veio pelo exemplo, determinação, força de vontade e também um pouco de sorte", frisou.
Depois de jogar na equipe da Unifil/EAD no ano passado, quando o time foi vice-campeã da Série Prata do Paranaense e logo em seguida foi desfeito, Marcinho chegou a atuar pelo Apucarana nesta temporada, mas sem receber salários preferiu deixar a equipe.
Entre os seus projetos estava trabalhar nos Estados Unidos, onde o futsal tem crescido e se profissionalizado, mas a proposta italiana o convenceu a retornar ao continente europeu. "Após a terceira oferta deles acabei aceitando. O treinador que está no Pescara, foi meu técnico também. Fomos campeões juntos e ele me apoiou demais. Recebi um contato do técnico da seleção italiana também, que até me abriu as portas para, no futuro, trabalhar na federação. Foram diversos fatores que me convenceram a encarar o desafio", relatou.
O Pescara é o mesmo clube do futebol, que este ano voltou para Série A italiana, e é uma das equipes mais fortes do futsal da Itália. Tem uma grande estrutura e uma torcida presente e apaixonada. "O objetivo é fazer um trabalho integrado entre os treinadores de todas as categorias, igualar os treinos até o time principal. Espero poder passar um pouco do meu conhecimento".
Todo novo desafio gera uma certa preocupação e desconfiança, mas Marcinho garante não ter medo do que vem pela frente e confia no trabalho. "Claro que 100% preparado eu não estou, isto virá com o dia a dia. Como foi na minha carreira, sempre tive muita coragem de aprender e melhorar. Quero poder ajudar essas crianças a crescerem e, quem sabe, jogarem e sonharem como eu sonhei em atuar na seleção".
Repassar conhecimento e experiência é a melhor maneira de contribuir com o esporte e devolver um pouco daquilo que o futsal o proporcionou. "Tudo que eu tenho eu consegui com o futsal. A minha família, a chance de conhecer vários países, de disputar os melhores campeonatos e do mundo e jogar com os melhores jogadores".


