Do Oriente Médio, Abel Braga não esconde desejo de voltar
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 29 de setembro de 2010
Glauco de Pierri e Paulo Favero<BR> Agência Estado 
São Paulo - Desde 2008 no Al Jazira, de Abu Dabi (Emirados Árabes Unidos), Abel Braga vê seu nome entrando na pauta de algum clube brasileiro. Com um título mundial e da Libertadores no currículo - ambos pelo Internacional -, o treinador conta os dias para voltar ao Brasil. Não que tenha fracassado nos Emirados Árabes (ganhou um título e foi duas vezes vice-campeão), mas a saudade de casa anda pesando muito. E antes de encerrar a carreira, sonha treinar algum grande de São Paulo.
Agência Estado - Qual é sua situação no clube?
Abel Braga - Tenho contrato até maio de 2011. Neste ano, só recebi um convite, do Vasco, feito pelo Roberto Dinamite, mas que infelizmente não tive como aceitar por causa da multa contratual, que é de US$ 2 milhões (R$ 3,2 milhões). Em dezembro, esse valor cai para a metade. Vou esperar até o fim do ano e ver se surge algum convite. Se isso acontecer, vou falar com o dono do time. Acho que consigo anular a multa pelo que eu fiz ao clube.
AE - Você foi procurado por alguém do São Paulo ou do Santos?
Abel Braga - Até agora, nenhum dos dois clubes me procurou. Mas é claro que seria muito bom defender tanto um quanto outro. Mas isso é um assunto que eu vou procurar mais para o fim do ano. Quero ir embora daqui, preciso ficar perto da minha família.
AE - Tem muita saudade de casa?
Abel Braga - No ano passado, eu trouxe para cá meu filho Fábio, de 16 anos, que jogava nas categorias de base do Inter. Pouco tempo depois, ficou estabelecido que garotos menores de 18 anos e que fossem estrangeiros não poderiam mais atuar nos clubes daqui. Com isso, minha família voltou para o Brasil, minha mulher foi com ele e eu fiquei sozinho.
AE - Como é sua rotina?
Abel Braga - É bem chata, não tem nada para fazer. No fundo, eu vou para a academia fazer meus exercícios, vou dar o treino... Tem pouca coisa para fazer.
AE - Você consegue ver as partidas dos times brasileiros?
Abel Braga - Uma das únicas coisas que eu faço é assistir televisão. Assisto tudo o que passa do Campeonato Brasileiro. O jogo de domingo entre Internacional e Corinthians foi, para mim, o mais emocionante. É muito legal ver o estádio cheio, toda aquela emoção, pois aqui o problema é a torcida. Aqui, são no máximo duas mil pessoas por jogo. Então, eu acabo sentindo a falta desse calor da torcida brasileira.
AE - Quem vencerá o Brasileiro?
Abel Braga - Pelo que eu vejo, acho que o título deve ficar com o Corinthians. Se bem que ainda faltam muitos jogos, mas é o time mais preparado para isso, pois joga parecido dentro e fora de casa. Vejo ainda o Fluminense muito forte. E uma coisa fundamental: o time está com sorte. O Muricy já achou um jeito para o Deco e o Conca jogarem juntos, então, o Flu pode sim ser campeão. O Inter também é candidato, mas precisa vencer mais jogos para chegar. A reta final será emocionante.
AE - Talvez na próxima temporada você trabalhe em algum grande paulista. Passa isso pela sua cabeça?
Abel Braga - Além de trabalhar na Ponte, a única vez que recebi uma proposta concreta foi do Palmeiras, em 2008. Só que não dava para ir porque tinha acabado de assinar com o Al Jazira. Foi uma pena. Já treinei os quatro grandes do Rio, Inter, Atlético Mineiro, Atlético Paranaense e ainda quero trabalhar em São Paulo. Para dizer a verdade, tenho até um pouco de inveja da estrutura do futebol paulista. Eu já estive nos centros de treinamento do Palmeiras, do São Paulo, soube que o Corinthians tem um agora, o Santos também. Os quatro oferecem ótimas condições de trabalho, têm força e representatividade no futebol nacional. Eu estou perto de parar. Tenho 58 anos, tudo tem dado certo na minha vida. Espero que antes de encerrar eu consiga treinar um grande paulista.


