Na comissão técnica do Sharjah FC, time da cidade que leva o mesmo nome, do ladinho de Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, um garoto realiza o sonho de criança de trabalhar no futebol. Aos 21 anos, o apucaranense Eduardo Thomaz de Oliveira é analista de desempenho do clube que lidera a liga local e já traça planos de se tornar treinador no futuro.

O jovem profissional chegou ao clube após trabalhar no Londrina. Mas quando começou no futebol seu sonho não era integrar uma comissão técnica e sim ser jogador. "Eu tinha esse sonho, cheguei a treinar como lateral-direito na base do Roma Apucarana, fiz outros testes, mas desisti e fui estudar ciências do esporte na UEL (Universidade Estadual de Londrina)", conta.

Na disciplina sobre futebol, Oliveira aprendeu sobre scout e pegou gosto. "Fui aprendendo cada vez mais, pois já comecei a pensar em atuar como gestor", relata. Em dezembro de 2014, ainda no primeiro ano do curso, conseguiu um estágio no Nacional de Rolândia, para trabalhar ao longo do Estadual do ano seguinte. "Decidi que iria trabalhar com isso e queria saber como era a função e o trabalho fora da sala de aula, dentro de uma comissão técnica. Trabalhei ao longo do Campeonato Paranaense e depois tive o contrato encerrado", descreve, lembrando que o time foi rebaixado para a Divisão de Acesso e, na sequência, se licenciou dos torneios oficiais até 2018.

A experiência, porém, serviu para mostrar que ele havia encontrado definitivamente a profissão que queria desempenhar no futebol. Assim, não desistiu e propôs a implantação do trabalho no Arapongas. Por lá, trabalhou com a equipe sub-19. "O trabalho foi me abrindo portas. Conheci o pessoal do Londrina e mantivemos contato. Isso era começo de 2016, quando o Pedro Henrique Alexandre trocou o Tubarão pela Ponte Preta e a vaga de analista de desempenho ficou disponível. Me procuraram e, claro, eu aceitei."

Com apenas 19 anos, ele assumiu o posto e passou a integrar a comissão técnica de Claudio Tencati. Até que em agosto de 2017 caiu em seu colo a proposta do Sharjah FC, dos Emirados Árabes Unidos. O time tinha uma vaga aberta já que o profissional que a ocupava, curiosamente também formado em ciências do esporte na UEL, havia trocado de clube. Após indicações, fizeram a proposta a Oliveira. "Eles foram muito diretos comigo: 'A gente quer um garoto novo e você é o primeiro da lista. É sim ou não'", lembra. Claro que foi sim a resposta.

"Cheguei ao clube sem conhecer nada, era minha primeira viagem internacional. Só quando assinei o contrato é que minha ficha caiu. Era verdade mesmo o que eu estava vivendo", recorda. Quando Oliveira desembarcou por lá, o treinador era o português José Peseiro, que havia montado uma nova comissão técnica com compatriotas. Os brasileiros só voltaram quando Abdelaziz Ambari, dos Emirados Árabes, assumiu na sequência.

O trabalho

Ele conta que a adaptação mais difícil foi ao idioma e aos costumes locais. Já chegou pagando um mico clássico de todo brasileiro no mundo árabe: comer com a mão errada. É obrigatório para o muçulmano comer com a mão direita. "Comi com a esquerda. Mas levaram na boa." Já dentro de campo não havia segredo. "É analisar os adversários e trazer para a nossa realidade", resume.

Oliveira desempenha uma das funções que mais ganham espaço e importância no futebol moderno. A análise de desempenho não exige graduação. Há vários cursos que dão a base teórica e tecnológica, que deve ser alinhada ao conhecimento de futebol e suas nuances. Mas tem papel decisivo no planejamento do clube e da comissão técnica. "Com a tecnologia que usamos, controlo a análise de treino e consigo saber se os jogadores estão correspondendo ao que a comissão técnica pediu. Nas janelas de contratações, também criamos padrões de análises para tentar minimizar os erros na busca por reforços", explica o analista.

Um exemplo disso foi a contratação do meia Lulinha, aquele mesmo que era do Corinthians. "Ele estava em grande fase na Coreia e chegamos a ele após um trabalho de análise", conta. O jogador já não está mais no clube.

Brasileiros

Oliveira conta que foi muito bem recebido pelos brasileiros do time, e com eles mantém uma comunidade bem unida. "Somos uma família, moramos no mesmo prédio e tem outros tantos brasileiros no futebol e outros esportes por lá. Toda segunda-feira tem uma peladinha e um churrasco depois", relata. O mais novo brazuca do pedaço é o meia Igor Coronado, que foi contratado junto ao Palermo, da Itália, e chegou por lá com status de estrela. Por coincidência, ele é de, adivinhem... Londrina.

O analista está feliz por lá e renovou contrato para mais uma temporada. Para o futuro, porém, pensa em trocar de carreira: quer virar treinador. "Vou fazer o curso na Argentina, que tem a mesma formação da Uefa", projeta.

Imagem ilustrativa da imagem Do Londrina para os Emirados Árabes
| Foto: Gustavo Oliveira/Londrina Esporte Clube/22-08-2017


Eduardo Thomaz de Oliveira realizou sonho de trabalhar no futebol e já planeja o próximo passo: virar treinador

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