Do Japão, Edmilson avisa que voltará ao LEC
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sábado, 10 de maio de 2008
Thiago Mossini<br> Reportagem Local 
Ele não nasceu em Londrina, muito menos na região. É paulistano. Mas tem uma paixão enorme pelo Tubarão. Tanta a ponto de ter defendido o clube em três oportunidades e de confessar que pretende pendurar as chuteiras com a camisa alviceleste. Enquanto esse dia não chega, o volante Edmilson, 32 anos, curte a fama no Japão, onde é o ''dono'' do meio-campo do Oita Trinita, décimo colocado da J-League, a Primeira Divisão do Campeonato Japonês.
''Penso muito em voltar para o Brasil, mas não penso em Série B (do Campeonato Brasileiro), Série A. Penso em voltar para o Londrina, pois peguei muito carinho pelo clube. Acompanho o Londrina todo dia aqui, pela internet'', revelou o volante em entrevista exclusiva à FOLHA.
Edmilson deixou o Tubarão pela última vez após a desclassificação no Paranaense do ano passado. Já havia conquistado o torcedor nas duas passagens anteriores, em 2001, e em 2005, quando ajudou a levar o Londrina à semifinal do Estadual pela última vez - de lá para cá o clube conviveu com fracassos e vexames.
No Japão, ele mantém relação semelhante com seu clube atual. É a terceira vez que defende o Oita Trinita e já trabalha para renovar seu contrato, que acaba em julho. ''Eles (a diretoria do time japonês) gostam muito de mim e eu do clube. Não é à toa que já é a terceira passagem minha por aqui'', lembrou o jogador. ''Estou mais maduro agora e a cabeça vai ficando no lugar. O negócio é trabalhar e deixar acontecer, entregar nas mãos de Deus'', continuou o volante, que não tem procurador e toma conta da própria carreira.
No Brasil, além do Tubarão, Edmilson experimentou o sabor da rivalidade cearense. Ele defendeu os arqui-rivais Ceará e Fortaleza. No Japão, experimenta o sabor da fama e gosta do assédio dos fãs.
''O Oita é um time médio, mas que tem uma torcida muito apaixonada. Pelo menos 17, 18 mil torcedores vão aos jogos sempre. Acho legal o assédio dos fãs, mas eles são muito tímidos. Às vezes, a mãe tem que empurrar o garoto para pedir um autógrafo ou para tirar uma foto. Eu atendo eles na boa. Mesmo quando estou comendo, não ligo de dar um autógrafo. Mas tem jogador que não gosta de ser incomodado não'', apontou Edmilson.
O fato de ser brasileiro faz com que aumente a fama do volante entre os japoneses, apaixonados pelo futebol tupiniquim. ''No Japão tem muito brasileiro, mais nos times de Tóquio. Por isso, o assédio é grande nas ruas aqui em Oita'', contou.
Edmilson não é o único brasileiro da equipe. Além dele, o Oita Trinita ainda tem o atacante Uéslei, maior artilheiro estrangeiro da J-League, e o meia Roberto, ex-Ponte Preta. Já na comissão técnica, o português predomina. O treinador é Péricles Chamusca, aquele mesmo que levou o Santo André ao título da Copa do Brasil. O auxiliar, os preparadores de goleiros e físico também são brasileiros, o que diminui um pouco a saudade da terrinha.
''Ter outros brasileiros no time facilita a adaptação, a convivência, mas mesmo assim é complicado. A família sempre que pode está por aqui, passeando. Só meus pais que nunca vieram porque têm medo de avião. Não é fácil encarar 27 horas de viagem'', comentou.
A distância e a saudade ficaram maiores de uns tempos para cá. A esposa Liliane e os filhos Matheus e Sabrina estão em Londrina, onde moram os sogros dele. O menino, de 4 anos, nasceu na Coréia do Sul, enquanto a garotinha, de 2, é japonesa. Eles vieram para o Brasil para fazer fonoaudiologia e tentar amenizar os problemas com os idiomas.
''Na escola eles conviviam com o japonês. Aí, chegava em casa, era o português. Causava uma confusão danada'', contou, deixando claro que a distância é seu principal adversário.


