A torcida coritibana teve um dia ímpar na última quarta-feira à noite. Expectativa, confiança, euforia e... tristeza - tudo resumido nos 12 minutos finais da partida decisiva com a Portuguesa, no Estádio Couto Pereira. A preparação do espírito alviverde para o jogo começou logo cedo. Curitiba se vestiu de verde e branco na esperança da classificação para a próxima fase do Brasileirão. A duas horas do jogo, as ruas próximas ao Alto da Glória já estavam tomadas por torcedores. Na hora da partida, mais de 25 mil pessoas estavam no estádio.
Era com espírito otimista que o administrador de empresas, Paulo Bueno Neto, 43 anos, levou muitos parentes para o Couto Pereira. Além dele estavam na caravana familiar o filho Bruno, de nove anos; os sobrinhos Ricardo e Gustavo; o sogro, Dagmar Bolliger, o cunhado Riberto Ayub e a cunhada Dagmar Bolliger.
Albari RosaDecepção definitivaO zagueiro César (de camiseta) curte a classificação: gol pôs fim à esperança coxa de chegar às semifinaisAntes da partida, a confiança era muito grande. ‘‘O Coritiba vem jogando muito melhor que a Portuguesa e merece a classificação’’, dizia Bueno. Paulo confessa que é um torcedor acostumado a ir aos estádios só quando o time vai bem. ‘‘Mas este ano o time surpreendeu e vim ver vários jogos’’, contou.
O jogo começa e a tensão é vísivel em toda a famíia. O gol vem logo e a alegria toma conta daquela torcida particular. ‘‘Só falta mais um’’, diziam eles em coro. O time perde muitos gols que maltratam os torcedores. Vem o intervalo e um misto de expectativa e confiança paira no ar. O medo que aqueles gols perdidos pelos atacantes coritibanos façam falta no final é muito grande, mas ninguém daquele grupo ousa tocar no assunto.
O segundo tempo começa e o Coritiba não consegue traduzir as boas chances que tem em gol. O nervosismo é grande e o jogo pega fogo. Mas o Couto Pereira vira um barril de pólvora depois do segudo gol coritibano. Braços erguidos aos céus, alegria inenarrável e a certeza da justiça feita e da classificação. Naquele momento ninguém teme mais nada. Ledo engano. O jogo acabaria 12 minutos depois e, neste curto espaço de tempo, o Coritiba cede o empate e dá adeus ao sonho de chegar às semifinais.
Ao final do jogo, feliz mesmo só a pequena torcida da Portuguesa, que chegou atrasada para a partida e teve o fiel apoio da massa atleticana, que estendia faixas e bandeiras provocando a torcida coxa-branca.
Segundo um integrante da torcida Leões da Fabulosa, Ricardo Lopes, 23 anos, o atraso da torcida lusitana se deu por causa das várias paradas que a polícia paranaense a obrigou a fazer. ‘‘Acho que eles queriam dinheiro para liberar a gente’’, suspeita Lopes. A caravana de São Paulo veio a Curitiba em dez ônibus e voltou feliz da vida com a classificação para as semifinais do Brasileirão.
Em todos os lugares do estádio, a decepção no olhar só não é maior que o amor da torcida que, mesmo vendo seu time desclassificado, gritava em alto e bom som: ‘‘Coxa, eu te amo’’.
Esse também era o grito de toda a família de Paulo Bueno Neto. Desolados, sim, mas orgulhosos da campanha da equipe neste Brasileirão: ‘‘Vimos um time guerreiro e com pouca sorte’’, resumia Roberto Ayub. ‘‘O Coritiba merece nosso apoio e é por isso que trouxe toda a família’’, disse Paulo Bueno. ‘‘Estaremos aqui no próximo ano, sempre confiando em nosso time do coração.’’Albari RosaAlegria prematuraO gol de Gelson Baresi, o segundo do Coritiba: logo depois da festa começaria a tragédia coxa-brancaMarcos Freitas

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