''Agora aumentou o número de autógrafos. Já estou dando três ou quatro por dia''. A frase é do único paranaense que já está confirmado na Copa do Mundo da África do Sul. Se já era bem-humorado, o árbitro auxiliar Roberto Braatz ganhou motivos de sobra para brincadeiras e sorrisos com a confirmação de que formará junto com os gaúchos Carlos Eugênio Simon e Altemir Hausmann o trio brasileiro de arbitragem no Mundial.
Aos 42 anos, o paranaense de Marechal Cândido Rondon terá sua primeira e única chance de participar de uma Copa do Mundo, já que será obrigado a deixar o quadro da Fifa ao completar 45 anos. ''Já está bom. Na próxima vai o Héber (Roberto Lopes, árbitro londrinense eleito o melhor do Brasileirão 2009). Ele está muito bem e é só continuar assim'', sentenciou.
Braatz contou que a ''ficha já caiu'', mas que viveu dias de ansiedade até o dia 5 deste mês, quando recebeu a confirmação. ''A gente fica na espera, mas tem muita briga interna de bastidores até a hora da definição. São sete trios na América do Sul, mas um ficaria de fora. Nosso trabalho no Mundial (de Clubes) repercutiu muito bem, mas enquanto não sai a convocação, a ansiedade, o desespero tomam conta'', revelou o auxiliar.
Representante de uma empresa de consórcios em Marechal Cândido Rondon, formado em História e pós-graduado em Administração Pública Esportiva, Braatz deixou tudo de lado para se dedicar à preparação para a Copa. No próximo dia 3, ele viaja para Zurique, na Suíça, onde passará pelos exames médicos finais para o Mundial. De lá, vai para as Ilhas Canárias. No arquipélago espanhol, o trio brasileiro, junto com os árbitros das Américas do Sul e Central, além dos trios da Oceania, participarão de um seminário com duração de seis dias e mais um teste físico. ''Recebemos as recomendações e os níveis de exigência da Fifa para os jogos. Tem que ser dedicação quase que exclusiva'', salientou.
Sonho
Braatz faz questão de ressaltar que a ida à Copa é um sonho. Mas que ele passou a frequentar seu imaginário há pouco tempo. ''Quando iniciei a carreira, sonhava em bandeirar um Atletiba. Depois, apareceu a chance na CBF. Foi outro sonho. Depois, surgiu a possibilidade de ir à Fifa e fui. Aí, em 2007, começaram a falar da chance de ir ao Mundial. Nossa, já tremia as pernas. Agora, estou realizando um sonho. Até de maqueiro iria para a Copa feliz'', desabafou o auxiliar.
Braatz, agora, vive a expectativa em relação à quantidade de jogos em que o trio brasileiro atuará. A partir da Copa da África, os trio são fixos e formados por árbitros da mesma nacionalidade. Assim, quanto mais longe o Brasil chegar, mais cedo Simon, Braatz e Hausmann voltam para a casa. ''Não dá para pensar em uma final sem fazer antes as outras partes. Vamos torcer para ter brasileiros na decisão. Ou a seleção ou nós. Se conseguirmos trabalhar em dois ou três jogos já está ótimo'', disse.

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