São Paulo, 18 (AE) - O ex-lateral-direito Djalma Santos, do Palmeiras, um dos maiores ídolos do futebol brasileiro, guarda uma mágoa, que estava quase apagada da memória, mas reacendeu com a expectativa do jogo contra o River Plate, amanhã à noite em Buenos Aires: a perda, com o Alviverde, das decisões da Taça Libertadores da América em 1961 e 68. "Até hoje, quando lembro, não me conformo com os títulos perdidos", disse hoje Djalma Santos, bicampeão mundial nas Copas de 58 e 62, 99 jogos oficiais disputados com a camisa da seleção brasileira, e 121 não-oficiais. "Mas o time de Scolari vai ganhar para fazer justiça ao Palmeiras."
A primeira decepção ocorreu na decisão contra o Penãrol. O Alviverde estava confiante no título, principalmente depois da campanha que fez na competição. Na fase inicial, havia vencido os dois jogos contra o Independiente, da Argentina: 2 a 0, em Buenos Aires, e 1 a 0, no Pacaembu. Depois, passou pelo Independiente, da Colômbia: empatou por 2 a 2 em Santa Fé, e venceu por 4 a 1, no Pacaembu, classificando-se para a final.
No primeiro jogo, disputado em Montevidéu, o Palmeiras perdeu por 1 a 0. O gol do time uruguaio foi marcado, por causa de um erro de Djalma Santos. Apesar da habilidade, pouco comum para os jogadores da posição, na época, o lateral tentou fazer "embaixada" ao levantar a bola para o ataque, com uma jogada que era uma das marcas de Djalma Santos. "Tentei puxar a bola com um toque de um pé para o outro, para depois fazer o lançamento, mas deu zebra", lembra Djalma Santos, que reconhece a falha. "A bola foi para o adversário que marcou o gol."
No jogo de volta, no Pacaembu, o Peñarol foi campeão com o empate por 1 a 1. Djalma Santos, que atuou no Palmeiras de 1959 a 68, afirmou que o Alviverde tinha uma das melhores equipes do futebol sul-americano. A equipe base era formada por Valdir; Djalma Santos, Waldemar Carabina, Aldemar e Geraldo Scotto; Zequinha e Chinesinho; Julinho, Nardo, Américo e Romero. "Foi o time que ganhou o supercampeonato paulista de 59 na famosa decisão contra o Santos", ressaltou Djalma Santos, que atuou no clube do Parque Antártica de 59 a 68. "Portanto, era uma equipe experiente, mas a Libertadores era uma guerra e os uruguaios gostavam mesmo de ganhar no grito, como fizeram na Copa de 50, no Maracanã", disse o lateral, de 70 anos, que vive em Uberaba. "Como esse recurso não existe mais, o futebol uruguaio acabou."
Na campanha de 68, o Palmeiras eliminou o Náutico de Recife (3 a 1 e 0 a 0), e os times da Venezuela, Deportivo (2 a 1 e 2 a 0) e a Portuguesa (2 a 1 e 3 a 0). Nas quartas-de-final, o Alviverde enfrentou o Universidad Católica, do Chile (4 a 1 e 1 a 0), Guarani, do Paraguai (0 a 2 e 2 a 1). Posteriormente, nas semifinais, derrotou o Peñarol (1 a 0 e 2 a 1), classificando-se para a decisão contra o Estudiantes.
No primeiro jogo da final, o Palmeiras fez 1 a 0, mas o time argentino virou o resultado no segundo tempo (2 a 1). Na segunda partida, o Palmeiras venceu por 3 a 1. Como não havia saldo de gols, o título foi disputado num jogo extra, em Montevidéu. O Estudiantes venceu por 2 a 0. "Mas quando o jogo estava ainda 0 a 0, o juiz anulou um gol legítimo nosso marcado por China", afirmou Djalma Santos. "Fomos roubados e naquela época não havia exame antidoping, muito menos televisionamento." A equipe base do Palmeiras em 68 era esta: Valdir; Djalma Santos, Djalma Dias, Minuca e Ferrari; Dudu e Ademir da Guia; Gildo, Servílio, Tupãzinho e Rinaldo.

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