O Londrina e a Brazilian Sports Business (BSB), empresa de São Paulo que atua na área de marketing esportivo, deram mais um pequeno passo na tentativa de viabilizar o futebol S/A no clube. Na quinta-feira, o consultor da BSB, Marcos Vinicius Contreras Gasparotto, telefonou ao coordenador-geral do Londrina, Célio Guergoletto, pedindo uma procuração para negociar eventuais contratos de patrocínio ou de possíveis interessados em investir no futuro modelo empresa que se pretende implantar na próxima temporada.
Contreras, porém, garante que ainda não existe nada de concreto. Mesmo assim, confirmou que a BSB procura agilizar os estudos de viabilidade. ‘‘Só posso dizer que estamos na fase de pesquisas e de análise do velho e do novo perfil do Londrina. Um detalhe que pesa muito são as dívidas. É preciso encontrar uma saída para regularizá-las’’, disse o representante da BSB.
Depois disso, segundo ele, é provável que algum grupo compre a marca Londrina - seria uma alternativa - respeitando-se as exigências da Lei Pelé. ‘‘O projeto fechado que devemos entregar ao Londrina também depende de outros detalhes, como o lado econômico não apenas da cidade, mas de toda a região. Levantaremos o limite presumível de torcedores, que são consumidores potenciais. Os investidores, claro, levam isso em conta. Mas falta muita coisa. Não estou autorizado a entrar em maiores detalhes’’, avisa o consultor.
A exemplo de Contreras, o coordenador-geral do Londrina, Célio Guergoletto, não fala do assunto com mais profundidade. Mas, independentemente dos primeiros desdobramentos, o dirigente considera fundamental que a BSB assegure um suporte financeiro de R$ 150 mil mensais ao Londrina, antes mesmo da execução de um eventual planejamento. ‘‘Sem recursos imediatos, não manteríamos nossa sobrevivência sem depender do poder público’’, afirma Guergoletto.
Tanto Contreras quanto Guergoletto batem na mesma tecla: é impossível viabilizar qualquer projeto se as dívidas não estiverem parcialmente pagas. ‘‘Atualmente, devemos aproximadamente R$ 2 milhões. Se tivéssemos uns R$ 800 mil, faríamos um bom acordo, mas para cumpri-lo religiosamente. Só assim, iríamos restabelecer a credibilidade do Londrina, que é o que às vezes pega na hora de buscar patrocínio. Só que hoje é tudo transparente e honesto. Além disso, tem gente que ainda não acredita no que vê. Ou seja, a boa campanha do time na Série B do Brasileiro. Tanto é que até agora a torcida não reapareceu. É como se ela estivesse desconfiada.’’
Até que a BSB se manifeste oficialmente, Guergoletto pretende lançar um ‘plano emergencial’, que consiste em atrair de 20 e 30 cotistas a R$ 5 mil cada. ‘‘Teríamos o dinheiro suficiente para suportar a atual folha de pagamento. Qualquer um poderia investir em uma cota de R$ 5 mil, subdividindo-a em parcelas de R$ 1 mil entre os interessados. Os lucros seriam proporcionais’’, explica Guergoletto, que aposta na influência do ex-presidente do Londrina, Iran Campos, e do prefeito Antonio Belinati para apressar os contatos iniciados durante a semana. ‘‘Seria nossa primeira arrancada.’’
Guergoletto tem a ‘varinha mágica’ para livrar o Londrina das dívidas e, mais importante, ‘a custo zero’. ‘‘O Executivo e o Legislativo doariam um terreno, que seria transformado em loteamento pelo Londrina. Cada credor receberia um lote correspondente ao valor da dívida. Assim, iríamos zerar os antigos compromissos sem gastar um tostão. Ora, se diferentes entidades são beneficiadas dessa forma, por que não o Londrina, que tanto divulga nossa cidade na mídia?’’, pergunta. ‘‘Já imaginaram se chegarmos ao grupo de elite? Só das TVs teríamos uma cota de R$ 1 milhão. Aí é fácil tocar futebol.’’
O coordenador-geral do clube, porém, reconhece que um projeto do gênero provocaria polêmica e dependeria do apoio dos vereadores, do prefeito Antonio Belinati e da comunidade local. ‘‘Primeiro, iríamos ouvir diferentes segmentos para amadurecer a idéia’’, esclarece Guergoletto. Seja lá o que for, ele admite que o Londrina não ‘tem mais volta’. ‘‘É agora ou nunca. O Londrina não pode mais parar. Ou segue em frente ou desaparece definitivamente’’, alerta Guergoletto.

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