Dívidas ameaçam sequência da Segundona
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terça-feira, 01 de agosto de 2006
Thiago Mossini<br> Reportagem Local 
A rodada do final de semana da Divisão de Acesso pode ter apenas um jogo por causa de dívidas dos clubes. O Tribunal de Justiça Desportiva (TJD) do Paraná suspendeu na noite de segunda-feira seis equipes que estão em débito com a Federação Paranaense de Futebol (FPF). Se não quitarem a dívida ainda esta semana, essas equipes não poderão entrar em campo no domingo.
A decisão do presidente do TJD, José Roberto Hajeboock, atingiu Arapongas, Comercial, Cambé, Iguaçu, Operário e Portuguesa Londrinense. Os quatro últimos disputam a semifinal da competição e os dois primeiros já foram eliminados.
De acordo com Laércio Polanski, superintendente da FPF, as dívidas são referentes apenas a cheques dados para pagamento dos kits da entidade e que foram devolvidos e não engloba outras dívidas. No dia 19 de julho, o presidente da FPF, Onaireves Moura, encaminhou denúncia ao TJD. Dois dias depois, o tribunal notificou os clubes e deu 48 horas para eles quitarem as dívidas. ''O prazo venceu e nenhum deles se manifestou'', disse Hajeboock ao site da FPF. Ele não foi localizado pela reportagem.
Cambé, Iguaçu, Operário e Portuguesa têm jogos marcados para o próximo final de semana. ''Se não pagarem, não jogam'', ameaçou Hajeboock também no site.
Desta forma, apenas o jogo entre Cascavel e Londrina B seria realizado. Como Paraná B e Londrina B já têm vaga na elite, Cascavel e Engenheiro conquistariam o acesso sem precisar jogar.
A compra dos kits é uma imposição da entidade para que os clubes participem de suas competições oficiais. O valor do pacote com contratos de 23 atletas, alvará e outras taxas administrativas ultrapassa a casa dos R$ 10 mil. A maioria dos clubes parcelou o valor com cheques pré-datados. A tesouraria da entidade se negou a divulgar o valor das dívidas.
Clubes A diretoria do Cambé informou que o clube deve cerca de R$ 5 mil e que o valor seria depositado entre ontem e hoje. Já o presidente da Lusinha, Amarildo Vieira Martins, disse que o clube está sendo vítima de perseguição por ser oposição a Moura, no poder há mais de 20 anos.
Martins disse que parcelou o kit em cinco vezes de R$ 2.183,00. A única parcela que teve problemas no pagamento foi a última. ''Demos um cheque para o dia 10 de julho e eles depositaram dia 6. É lógico que não iria ter fundos'', acusou o dirigente.
O presidente da Lusinha disse que foi notificado e que na última sexta-feira um representante do clube teria ido até a tesouraria da FPF para saldar a dívida e fez outra grave acusação. ''Nos disseram que não poderiam nos devolver o cheque porque ele havia sido trocado com agiotas'', contou.
O tesoureiro da entidade, Marco Rodrigues, negou as acusações. Ele disse que a entidade depositou o cheque na data certa e confirmou a tentativa de pagamento na sexta-feira, mas informou que o cheque havia sido repassado a fornecedores, e não agiotas. ''Ele nos deu um outro cheque pré-datado para o dia 5 de agosto. Se compensar, devolveremos o outro e o time poderá jogar'', disse Rodrigues.
O presidente do Operário, Sílvio Comoski, em entrevista ao site futebolpr.com.br, classificou como ''palhaçada'' a atitude da FPF. Seu clube deve R$ 2,5 mil.


