O zagueiro Gamarra ameaçou ontem não jogar mais no Corinthians se o clube não pagar uma diferença sobre os seus salários de janeiro e fevereiro, relativa à variação cambial do dólar no período. O paraguaio Gamarra e o volante colombiano Rincón, os dois jogadores estrangeiros do time, têm salário fixado em contrato em dólar. O primeiro recebe em torno de US$ 80 mil e o segundo, em torno de US$ 70 mil (não declarados).
Desde a crise cambial, em janeiro, o clube se recusa a pagá-los na cotação do dia. ‘‘Meus salários foram pagos como se cada dólar valesse R$ 1,50, sendo que nesse período a moeda americana chegou a até R$ 2,16 (ontem estava cotada a R$ 1,85)’’, disse o zagueiro. O Corinthians enfrenta o Cerro Porte¤o amanhã e o Olimpia na sexta-feira, ambos no Paraguai, pela Taça Libertadores da América.
Gamarra deu prazo até o final deste mês para que o Corinthians quite a diferença e pague o salário de março na cotação do dia. O procurador Gilmar Veloz, que representa o zagueiro, reuniu-se com diretores do Corinthians para tentar um acordo. Segundo Gamarra, o clube havia explicado que estava em dificuldades financeiras e que esperava acertar o contrato de parceria com o banco Icatu para definir a questão de seu salário.
O Corinthians tem dívidas de R$ 15 milhões e enfrenta dificuldades para pagar também as parcelas do passe do meia Ricardinho ao Bordeaux, da França, em dólar. ‘‘Só vou aguardar até o final do mês. Comigo não tem conversa. Espero que não aconteça o pior. Posso dizer que não vou jogar mais enquanto não me pagarem na cotação do dia’’, disse Gamarra. ‘‘Se o clube não fechar com o Icatu, que arrume o dinheiro de outra forma para me pagar.’’

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