Dívida do Londrina é de R$ 44 milhões, indica painel
Valor de curto prazo, porém, é de apenas 4,32% em relação ao total
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 23 de outubro de 2026
Valor de curto prazo, porém, é de apenas 4,32% em relação ao total

O Londrina tem uma dívida total de R$ 44 milhões, segundo dados do painel da ANRSEF (Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol), que reúne informações financeiras dos clubes das Séries A e B do Campeonato Brasileiro. O Tubarão aparece na 32ª posição entre as 40 equipes listadas e ocupa o 14º lugar entre os 20 participantes da Série B de 2026.
Um dos destaques do levantamento é o volume de compromissos financeiros com vencimento no curto prazo. Dos R$ 44 milhões em dívidas do Londrina, R$ 1,9 milhão vence, em geral, nos próximos 12 meses. O valor representa 4,32% do total. Os R$ 42,1 milhões restantes correspondem a dívidas de longo prazo, equivalentes a 95,68% do montante.
Na Série B, o Londrina tem a segunda menor dívida de curto prazo, atrás apenas do CRB, que registra R$ 300 mil nessa categoria.
O painel também apresenta informações sobre eventuais atrasos nos pagamentos dos clubes. O Londrina está entre as sete equipes da Série B que não declararam pendências vencidas com atletas e funcionários, outros clubes ou o poder público. Além do Tubarão, aparecem nessa situação Athletic, Botafogo-SP, CRB, Juventude, Novorizontino, Operário e São Bernardo.
As outras 13 equipes da competição apresentam algum tipo de atraso. No caso dos salários de atletas e funcionários, o levantamento aponta pendências de América-MG, Atlético-GO, Avaí, Ceará, Criciúma, Cuiabá, Fortaleza, Náutico, Ponte Preta, Sport e Vila Nova.
Situação financeira do Londrina
O painel detalha a situação patrimonial do Tubarão no fim de 2025. O clube tinha R$ 29 milhões em bens e direitos, registrados no ativo do balanço. Mesmo assim, o patrimônio líquido era negativo em R$ 31 milhões. Esse indicador considera a diferença entre os ativos e todas as obrigações registradas no passivo, incluindo receitas recebidas antecipadamente.
Os R$ 15 milhões em receitas antecipadas, provenientes de adiantamentos de patrocínios, direitos de transmissão e outros contratos, são apresentados separadamente na composição da dívida pelo painel. Embora não estejam incluídos nos R$ 44 milhões de dívida total, esses valores integram o passivo considerado no cálculo do patrimônio líquido.
Recursos de curto prazo cobrem as dívidas
Apesar do volume total de débitos, o Londrina apresentava recursos suficientes para cobrir as obrigações financeiras de curto prazo. Segundo o painel, o clube tinha R$ 2 milhões em ativos circulantes, como dinheiro em caixa e valores a receber, diante de R$ 1,9 milhão em dívidas com vencimento nesse período.
A relação corresponde a uma cobertura de 107%. Na prática, para cada R$ 1 em dívida de curto prazo, o clube dispunha de R$ 1,07 em recursos circulantes.
A composição do endividamento também é detalhada no levantamento. Cerca de R$ 23 milhões, equivalentes a 52% do total, correspondem a dívidas com associações, sócios ou empresas ligadas ao clube. Outros R$ 20 milhões, ou 45%, estão relacionados a empréstimos, financiamentos e demais contas. Já as obrigações trabalhistas, os impostos e os parcelamentos fiscais somam R$ 1,3 milhão, aproximadamente 3% da dívida.
As maiores dívidas da Série B
Considerando a dívida total, o Sport lidera entre os clubes da Série B, com R$ 324 milhões em débitos. Na sequência aparecem o Náutico, com R$ 291 milhões, e o Fortaleza, com R$ 276 milhões.
O cenário muda quando são consideradas apenas as dívidas de curto prazo. Nesse caso, o Fortaleza tem o maior valor, com R$ 217 milhões, seguido pelo Sport, com R$ 184 milhões, e pelo Ceará, com R$ 125 milhões.
Apesar de ocupar a segunda posição no endividamento total, o Náutico tem cerca de R$ 30 milhões em compromissos de curto prazo. Já o CRB apresenta a menor dívida total entre os participantes da Série B, com R$ 900 mil.
Vale destacar que seis clubes da Série B estão em recuperação judicial ou possuem plano de credores. América-MG, Ceará e Ponte Preta têm plano de credores, enquanto Avaí, Náutico e Sport estão nas duas situações.


Matheus Camargo
Repórter de Esportes, com foco no Londrina Esporte Clube.


