Uma dívida de US$ 1 milhão do promotor Jorge Cintra com a Cart pode ameaçar a realização do GP do Brasil de Fórmula Indy. Cintra tem até quarta-feira para pagar esta quantia, referente à segunda parcela da taxa de US$ 3 milhões que os organizadores cobram para levar o show da Indy para o País. O promotor admite que ainda não tem o dinheiro e espera que a Cart adie o prazo até 10 de abril, a um mês da realização da corrida, quando teria de pagar também a terceira e última parcela, de US$ 1 milhão.
Cintra negocia com uma multinacional um patrocínio para a prova, que poderia fazê-lo honrar a dívida no prazo previsto. É isso que espera o presidente da Cart, Andrew Craig. ‘‘Jorge até agora jamais atrasou um pagamento e não há motivos para acreditarmos que o farᒒ, afirmou. Craig, porém, negou-se a comentar se permitirá o adiamento. ‘‘Não vou especular sobre isso.’’
A Cart, porém, não estaria disposta a correr o risco de adiar o recebimento do dinheiro, tanto que exigiu de Cintra, no mínimo, uma garantia bancária. O promotor perdeu crédito com os organizadores da Indy por não ter cumprido compromissos com o ex-sócio Gerald Davis na equipe Davis. Cintra teve dificuldades para negociar patrocinadores para o carro do brasileiro Guálter Salles ano passado. Em dezembro, rompeu com Davis, que, para pagar as dívidas com fornecedores, como a Ford, teve de afastar Salles e aceitar US$ 600 mil de um novo piloto, o alemão Arnd Meier.
Cintra espera resolver os problemas e realizar a prova pela terceira vez - ele tem contrato com a Cart e a Prefeitura do Rio até 2001. ‘‘O problema é que os patrocinadores brasileiros esperam para fechar contratos em cima da hora e os americanos não entendem isso’’, reclama. Cintra negocia com empresas como Souza Cruz, Texaco, Varig, Honda, Firestone, Mobil e Panasonic, além de um banco, para patrocinar a corrida, mas nenhuma assinou acordo.
O custo de Cintra para realizar a prova supera US$ 10 milhões, pois ele tem de garantir transporte aéreo e hotel para equipes e dirigentes e realizar melhorias nas estruturas móveis do autódromo, como escritórios dos times e arquibancadas metálicas. É a corrida mais cara do campeonato depois do GP do Japão. ‘‘Tenho de matar um leão por dia.’’

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