DIVERSÃO - Gateball, o esporte grisalho
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domingo, 21 de dezembro de 2003
Claudio Yuge<br>Reportagem Local 
Terça-feira, logo pela manhãzinha. Um grupo de velhinhos saem de suas casas na Vila Nova, bairro colado no centro de Londrina e conhecido por sua multiplicidade cultural, e vão para uma cancha de terra na Associação Cultural e Recreativa Okinawa de Londrina (ACROL). Todos munidos de bastões, muito parecidos com um martelo, várias bolinhas e chapéus imensos, afinal de contas, a saúde não é mais a mesma de anos atrás e os cuidados com o insistente e impiedoso sol do norte paranaense são imprescindíveis durante o verão.
É aí que vem a pergunta: o que é que eles estão fazendo ali tão cedo? A resposta é simples mas um tanto esquisita, principalmente para quem não entende a língua inglesa: gateball. Um esporte bastante conhecido nas comunidades japonesas, onde, juntamente com o beisebol e o golfe, é a grande atração esportiva durante as festividades nipônicas, principalmente entre o pessoal da terceira idade. Por isso mesmo é chamado de ''o esporte grisalho''.
''É um esporte que movimenta o pessoal de idade que fica parado. Ao invés de ficar em casa o pessoal reencontra os amigos para jogar e também faz alguma atividade'', afirma Chozen Maenishi, de 67 anos, que joga o gateball há oito anos e participou do campeonato sul-americano da modalidade. Assim, como vários japoneses da província de Okinawa, no sul do Japão, Maenishi veio para o Brasil após a Segunda Guerra Mundial, quando os norte-americanos dominaram a região no oriente.
Ele veio trabalhar em Londrina, onde tem uma barraca de sucos na área central e, mesmo voltando para o Japão como dekassegui, acabou retornando e se considera um legítimo pé-vermelho. Da juventude de trabalhos na feira até hoje, Maenishi encaixa-se entre tantos outros imigrantes que acostumaram-se com a cultura brasileira mas não deixam de lado a herança oriental, como a prática do gateball. Com a chegada da aposentadoria e os filhos saindo para estudar ou trabalhar, sobra ainda mais tempo para outras atividades. Principalmente porque os japoneses têm uma alta taxa de longevidade. ''A gente vem pra cá e fica das 8 até às 11 da manhã. Todas as terças, quintas, sábados e domingos'', completa Maenishi.
Em Londrina, outras comunidades japonesas também costumam se movimentar para jogar gateball. ''Tem o pessoal do Zerão, da Rubiácea e da Acel também, são de 30 a 40 pessoas que jogam aqui na cidade. Todo primeiro domingo do mês fazemos uma regional, com o pessoal de Rolândia e outras cidades'', explica o jogador.
E o gateball é também bastante apreciado entre as mulheres. ''Gosto porque tem que ter jeito para jogar, não adianta força'', salienta Cecília Zaha, 77 anos, praticante da modalidade há dez anos. Também imigrante chegou no Brasil em uma das primeiras embarcações japonesas rumo ao Brasil, em 1909 Zaha costuma ser a shushoo, a capitã de sua equipe. Nessa função, ela organiza as jogadas, a estratégia para atrapalhar os adversários e avançar através dos arcos e também motiva seus companheiros.
Ela grita, discute e, além de uma ótima jogadora dificilmente erra uma jogada também mostrou-se uma boa conselheira para quem quer dar os primeiros passos no esporte. ''A mira é o mais importante. Se você errou, tem que parar por aí e tentar tudo de novo.''


