Discussão agita semana do Tubarão
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terça-feira, 04 de maio de 2004
Guilherme Gouveia<br> Reportagem Local 
''Fica na moral, fica na moral, está falando muito e tá me irritando já''. Era para ser um dia qualquer, com treinos e atividades dentro da normalidade. Mas não foi. A explosão do volante Vagner, recém-nomeado capitão da equipe, teve endereço certo: o zagueiro Thiago Matias. Quando a discussão parecia mais intensa, o técnico Raul Plassmann decidiu interceder. Tirou a dupla do coletivo e sentenciou: ''Está bom para vocês dois''. Isolados, apenas acompanharam o decorrer do treino, sem trocar uma palavra sequer.
Segundo o depoimento do volante, o início do bate-boca começou após uma bola alçada na grande área da equipe titular. O goleiro Adir saiu e gritou que a bola era dele. Vagner, próximo ao gol, deixou o lance correr. Thiago, sem ouvir a intervenção do goleiro, cobrou o cabeceio do companheiro. ''Foi uma jogada aérea. O Adir disse que a bola era dele, o Thiago achou que eu tinha que cortar e não concordei, já que goleiro estava saindo do gol'', explicou o capitão. ''Mas isso é normal numa equipe que pretende vencer. Em um grupo de 30 jogadores, por exemplo, somento cinco são realmente amigos. É a guerra da sobrevivência. Não é o caso meu e do Thiago, que somos amigos há muito tempo'', prosseguiu Vagner. Ontem mesmo, na casa do zagueiro, ocorreria uma rodada de pizza para celebrar a amizade.
Raul preferiu minimizar os efeitos da discussão. Não tomará partido e deixará nas mãos dos próprios jogadores a iniciativa da reconciliação. ''Não me preocupo com isso. Não sou um cara de brigar, tomar atitudes ou chamar a atenção de ninguém. Quando a coisa não vai bem, a gente separa, tira de campo. E acho que esta retirada já foi uma boa advertência'', argumentou. ''Além disso, não sou babá de ninguém'', disparou o ex-goleiro, lavando as mãos sobre o caso.
Vagner negou que o bate-boca seja indício de uma vaidosa guerra pela liderança do elenco. ''Isso não existe porque não sou líder. Desde que cheguei, o Raul confia no meu trabalho e me deu a faixa de capitão do time, mas nunca fiz questão disso. Acho que faixa não ganha jogo'', ponderou. ''Sempre fui de falar, pela posição que jogo tenho que orientar o posicionamento dos outros jogadores''.
O volante garantiu que o episódio não deixará ressentimentos. ''Quem perdeu com tudo isso foi eu e o Thiago. Mas somos muito amigos, a mãe dele é minha também e a minha é dele. São dois filhos mal-educados, que brigam de vez em quando. Mas como sou mais velho, puxarei a orelha dele'', brincou.
No coletivo, Raul armou o setor de meio-campo com dois volantes, Vagner e Jackson, e dois meias, Neném e Eduardo Neves. Como Cahê continua no departamento médico, Rafael treinou ao lado de Cézar no ataque. O volante Germano atuou na lateral-esquerda e pode ser improvisado para enfrentar o Brasiliense.


