Dirigir o Corinthians não assusta Passarella
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quinta-feira, 03 de março de 2005
Agência Estado 
São Paulo - ''É uma grande responsabilidade comandar o Corinthians. Uma grande pressão. Mas não me assusta o desafio''. Foi assim que o técnico argentino Daniel Passarella anunciou o começo do seu trabalho no Parque São Jorge, ontem à tarde, após assinar contrato até o final do ano com o clube brasileiro.
Passarella contou que seu primeiro contato com os dirigentes do Corinthians e da MSI aconteceu em janeiro, quando foi procurado para ser uma espécie de consultor. Depois, teve nova reunião em fevereiro, ainda para o mesmo cargo. Mas, com a demissão de Tite, na última segunda-feira, a conversa mudou de tom e ele foi chamado para ser o treinador.
''Acredito que o Brasil é o lugar mais difícil para se treinar'', disse o argentino Passarella, durante sua apresentação oficial no Corinthians, elogiando o futebol brasileiro.
Na sua entrevista coletiva, Passarella fugiu dos temas polêmicos. Primeiro, garantiu que não tem problema com jogadores cabeludos cortou o volante Redondo na Copa de 98, quando dirigia a seleção argentina, por ele se negar a cortar os longos cabelos. E até brincou com a pergunta do repórter brasileiro: ''Todos os jogadores vão ficar carecas'', afirmou o técnico, rindo.
Quando perguntado sobre a interferência do iraniano Kia Joorabchian, presidente da MSI, no trabalho do treinador como aconteceu com seu antecessor Tite , Passarella desconversou. Disse que não participou das situações passadas e que a resposta cabia aos dirigentes.
Ao ser perguntado sobre se tinha consciência da ''bomba'' que estava assumindo ao aceitar o cargo, Passarella riu. ''Já estou começando a me dar conta da pressão que é dirigir o Corinthians, mas é preferível dirigir uma equipe sob pressão do que outra de menor expressão'', explicou.
Ele não quis falar se é linha dura ou disciplinador. ''Deixo isso para depois, quando vocês (jornalistas) me conhecerem melhor. O que eu prezo, na verdade, é um futebol técnico.''
Passarella adiantou que, apesar de já comandar a equipe no treino de hoje pela manhã para o jogo contra o União São João amanhã pelo Campeonato Paulista, só dirige a equipe do banco a partir de quarta-feira, quando o time paulista enfrenta o Cianorte pela segunda fase da Copa do Brasil, em Maringá.
Kia O chefe da MSI negou durante a entrevista coletiva, que tenha tenha tido um acesso de ira nos vestários após a derrota do Corinthians para o São Paulo por 1 a 0, no espísódio que teria precipitado a demissão do técnico Tite. Ao ser questionado sobre se estava arrependido de ter agido de forma impulsiva, o dirigente foi claro.
''Eu não me arrependo de nada, porque não aconteceu nada nos vestiários. O fato é que já há muito tempo venho sendo perseguido pela imprensa. Apesar disso, eu preciso deixar claro, que a minha única missão é fazer todo o possível para fazer do Corinthians um time campeão'', concluiu.


