Dirigentes querem moralização no futebol
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sábado, 15 de outubro de 2005
Thiago Mossini<br>Reportagem Local 
O desfecho do caso ''Bruxo'' não agradou aos dirigentes de clubes paranaenses. Eles esperavam que mais pessoas fossem punidas e que as investigações sobre a ''máfia do apito'' no Estado não acabassem em pizza. Já vacinada, a maioria prefere ser amena nas críticas, temendo represálias em competições futuras. A opinião de todos, porém, é única: é preciso moralizar o futebol estadual.
''É duro de opinar, porque não sei como as coisas aconteceram. A partir de agora, (o escândalo) vai servir de alerta para os próximos campeonatos. É lamentável tudo isso, mas não é bom falar muito, podem vir retaliações. Em 2003 já pagamos caro'', alfinetou o presidente do Londrina, Agostinho Miguel Garrote.
O presidente do Nacional, José Danilson de Oliveira, se diz muito decepcionado com o resultado do julgamento. O Tribunal de Justiça Desportiva (TJD) da FPF condenou o ex-árbitro José Francisco de Oliveira, o Cidão, corrupto confesso, e três dirigentes que confessaram terem dado dinheiro a árbitros para que os homens do apito ajudassem seus clubes. Porém, absolveu os árbitros que teriam recebido o dinheiro e outros que estariam envolvidos nas negociatas.
''Estou decepcionado porque quem denunciou foi punido. Puniram ex-dirigentes, ex-árbitros e quem está na ativa vai continuar trabalhando tranquilamente. Quem foi acusado de que estaria envolvido, foi absolvido. Isso deixa a gente preocupado. É desmoralizador'', disse em tom indignado o cartola de Rolândia.
Danilson fez questão de ressaltar que nunca foi procurado pelo tal bruxo. ''No Paraná, há três tipos de árbitros: os bons, os ruins e os corruptos'', afirmou, lembrando da partida entre Nacional e Paranavaí, pelo Paranaense 2005, que terminou empatado em 1 a 1. Cidão cometeu vários erros naquela jogo e no fim levou um soco do preparador de goleiros do Nacional, Vanderlei Gazzola.
No início da semana levantou-se a suspeita de que a CBF teria pressionado a FPF a provocar a absolvição dos árbitros que apitavam também a Série B do Campeonato Brasileiro. Vitória e Bahia, que caíram para a Série C, aguardavam o julgamento para pedirem a paralisação da Segundona nacional. ''Não acredito que tenha acontecido isso e que a FPF teria ligação nas absolvições'', descartou Danilson.
Outros cartolas, que comandam seus clubes paralelamente às suas empresas, preferiram acompanhar de longe o desfecho do caso. ''Não estou muito por dentro, mas acho que tem que moralizar o futebol paranaense. Os critérios de julgamento têm que ser os mesmos'', cobrou Marcos Frazzatto, presidente do Cianorte.
O comandante do Galo Maringá, da Série Prata do Paranaense, Marcos Faleiro, aguarda um relatório sobre o caso para se posicionar mais contundentemente. ''Pedi um relatório dos julgamentos e ainda não recebi ainda, mas achei que os árbitros corrompidos deveriam ser punidos. Isso tá errado (punir os corruptores e absolver os corruptos) e gera um descrédito. Precisamos ficar de olho nas arbitragens daqui pra frente e é preciso rever estas decisões para ver se o Operário tem alguma participação, porque eliminar só o dirigente não adianta'', protestou Faleiro.
Adilson Batista Prado, presidente da Adap, disse ter total confiança nos árbitros do Estado e na FPF, porém, reconhece que a credibilidade do futebol estadual está abalada com o ''mar de lama''. ''Essa divulgação das denúncias nos meios de comunicação, vem denegrir a imagem do nosso futebol. Vejo tudo isso com muita tristeza, porque a nossa imagem, que fazemos parte do futebol paranaense, é que está em jogo. É lamentável'', disse Prado.
O cartola do União Bandeirante, Benedito Luiz Ferraz, o Benê, evita comentar devido ao ''pouco tempo no meio do futebol''. Mas se diz frustrado. ''O que a gente escuta no dia-a-dia tira o tesão de continuar no esporte'', desabafou Benê.


