São Paulo - Carlos Arthur Nuzman está na presidência do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) desde 1995; Ricardo Terra Teixeira comanda a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) desde janeiro de 1989. Em seus 13 anos de reinado, o ex-jogador de vôlei orgulha-se de ter trabalhado para melhorar a performance brasileira em Jogos Olímpicos e de ter trazido um Pan-Americano para o País. Em quase 20 anos de poder, o ex-genro de João Havelange (ex-presidente da Fifa) bate no peito sempre que fala das duas Copas do Mundo ganhas pelo Brasil sob sua égide. São figuras controversas, polêmicas do esporte nacional. Mas do que isso: são, no momento, intocáveis, por conta dos projetos que lideram.
Nuzman carrega por todos os cantos onde vai um sonho persistente, o de trazer uma olimpíada para o Brasil, mais especificamente para o Rio. Teixeira já alcançou seu objetivo, o de realizar uma Copa de futebol no país do futebol - direito assegurado para 2014.
Ambos trafegam com desenvoltura pelas trilhas do poder, seja em nível municipal, estadual ou federal. Bastante bem articulados e hábeis articuladores, quase sempre conseguem tudo o que querem. Nuzman, por exemplo, não teve dificuldade em convencer o governo federal a cobrir os buracos que o Pan realizado no ano passado no Rio iam deixando pelo caminho, numa conta que, estima-se, beirou os R$ 5 bilhões. E não tem a menor cerimônia em reivindicar dos cofres o que considera necessário na luta para que a Olimpíada de 2016 venha ao Brasil.
Teixeira já se livrou de CPIs e enterrou outras. Tem uma tropa de choque eficiente no Congresso Nacional. E pode contar com o apoio do presidente Lula em tudo o que for preciso quando o assunto é a Copa de 2014.
Nuzman também tem no presidente um aliado para questões olímpicas. Lula prometeu levá-lo a tiracolo em sua viagens internacionais, sob o mote de fortalecer mundo afora o pleito do Rio com vistas a 2016.
O mandato do presidente do COB termina em 31 de dezembro. Mas se há algo que ninguém duvida e de que será reeleito por mais quatro anos - e depois por mais quatro, com Jogos Olímpicos no Rio ou não, e depois por mais quatro...
Eleição é algo com que Ricardo Teixeira não precisa se preocupar tão cedo. A reboque da obtenção pelo Brasil da honra de sediar a Copa de 2014, ele já conseguiu estender seu mandato à frente da CBF até abril de 2015, sob o motivo alegado de não prejudicar a organização do Mundial com disputas políticas.

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