Os presidentes do Coritiba, João Jacob Mehl, e o do Paraná Clube, Dilso Rossi, gostaram do relatório da arbitragem feito pelo delegado Fauze Salmem e pelo procurador do Tribunal de Justiça Desportiva da Federação Paranaense de Futebol, Otto Sponholz Júnior. O presidente em exercício do Atlético, Ademir Adur, uma das pessoas entrevistadas no inquérito, não foi localizado ontem para falar sobre o assunto.
O relatório, feito a pedido da Comissão Estadual de Arbitragem, foi divulgado ontem e denunciou o ex-presidente da Comissão de Arbitragem, Lourival Barão Marques, e os árbitros Francisco Carlos Vieria, Nilton Dantas Louza e Cleivaldo Bernardo, que marcaram pênaltis duvidosos nas partidas Coritiba e Paraná (2 a 2), Paraná e Atlético (2 a 2) e Londrina e Iraty (1 a 0), respectivamente. O julgamento acontecerá no dia 16 de abril.
Dilso Rossi disse que o inquérito é bom porque pretende moralizar o futebol paranaense. Para ele, se realmente há indícios de que os denunciados cometeram irregularidades, então a justiça tem que ser feita. ‘‘Se há provas concretas, os denunciados têm que pagar pelo que fizeram’’
No entanto, Rossi diz que deve haver cuidado em relação às cobranças no trabalho dos árbitros, que continuarão sob vigilância durante os jogos. ‘‘Tem que se separar os erros normais, passíveis do ser humano, dos erros de má-fé, em que o árbitro mostra estar querendo ajudar determinado clube. Nesse caso tem que ser punido severamente’’
João Jacob Mehl disse que o relatório e as denúncias servem principalmente como prevenção. ‘‘As denúncias são rudes e isso vai fazer os árbitros tomarem mais cuidados daqui para frente. Esperamos que o objetivo principal, que é de diminuir a quantidade de erros, seja atingido’’.
Insatisfação Quem não gostou do relatório foi o presidente da Associação de Árbitros do Paraná, Nélson Orlando Lehmkuhl. Segundo ele, os erros dos árbitros denunciados não eram tão graves para serem motivos de inquérito. ‘‘Quero ver o que eles vão fazer daqui para frente sempre que um árbitro errar tecnicamente’’.
Para Lehmkuhl, erros de arbitragens têm que ser analisados por pessoas que conhecem as regras. Segundo ele, mesmo que seja constatado erro, antes que seja aplicada uma pena, os árbitros teriam que passar por uma reciclagem técnica. Se o erro for grave, a pena pode ser o afastamento por alguns jogos.
O que não pode acontecer, de acordo com o presidente da Associação de Árbitros, é o árbitro ser exposto à opinião pública como parte de um esquema de favorecimentos e de maracutaias. ‘‘E se eles forem absolvidos no julgamento, como fica o tempo em que ficaram fora dos gramados e foram tratados como criminosos?’’.
O presidente da Federação Paranaense de Futebol, Darci Pianna, disse ontem que ainda não havia tomado conhecimento de todo relatório e que por isso preferia não se manifestar a respeito.

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