O Londrina ainda não encontrou nenhuma saída para solucionar a crise que ronda o clube desde o início do Campeonato Paranaense. No entanto, o diretor-jurídico da Sociedade Amigos do Londrina, Mauro Viotto, deu ontem uma sugestão a todos os companheiros da SAL. ‘‘Acho que deveríamos renunciar e entregar os cargos aos torcedores que nos ameaçaram no Estádio do Caf钒, disse, referindo-se aos incidentes que ocorreram anteontem nas tribunas. Os policiais chegaram a deter e algemar um torcedor.
Depois da derrota diante do Coritiba - a sexta do time no campeonato - Viotto avisou que iria se demitir, transmitindo ontem o recado ao presidente da SAL, Marcos Alexandre Domingues. ‘‘Mas, antes de ir embora, vou processar criminalmente os torcedores que nos chamaram de ladrões. Já requisitei as fitas das TVs para identificar um a um’’, garantiu o dirigente.
Além de sugerir a renúncia coletiva da diretoria, Viotto recomenda que a SAL entregue o Londrina aos torcedores que exigem um time forte e competitivo. ‘‘Quem sabe, eles poderiam se cotizar e iniciar uma campanha para trazer o Edmundo, que se afastou da Fiorentina. Não temos dinheiro para contratar reforços de alto nível. Não podemos esconder a verdade. Na cidade, ninguém nos dá qualquer apoio financeiro’’, reclamou. ‘‘Querem que ganhemos do Coritiba, que mantém uma folha de pagamento na faixa de R$ 300 mil. Nossos gastos chegam a R$ 30 mil e nem assim temos como pagar normalmente os salários’’, afirmou.
O presidente Marcos Alexandre praticamente repetiu as palavras de Viotto, já antecipando que não haverá mudanças imediatas. ‘‘Sem recursos, não podemos melhorar nada. Novos reforços? Só os dois que aí estão’’, citando o zagueiro Gaúcho e o volante Marcelo Gaudino. Ele negou que o Londrina esteja atrás de outro goleiro. Quanto às possíveis dispensas, explicou que cabe ao técnico Lico decidir quem fica ou sai do elenco.
Em tom de desânimo, Lico reconhece que o time é bastante fraco, mas, diplomaticamente, não aponta nomes. Apesar disso, ele entende que alguns jogadores revelam inexperiência e falta de ambição profissional. ‘‘Sempre digo a eles que, se não dá na bola, é preciso se impor pela raça, pela garra, pela vontade de vencer. Tem uma coisa: nem tudo está perdido. Vamos recomeçar tudo como se fôssemos brigar pelo título no segundo turno’’, acrescentou, num gesto isolado de quem imagina que pode reverter uma situação aparentemente impossível. ‘‘Não se reverte só a morte. É claro que, sem colocar a mão no bolso, não vamos fortalecer nossa equipe’’, comentou. O Londrina enfrenta o Apucarana, domingo, fora de casa, no início do returno do Paranaense.

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