Dirigente sonha com volta do Andiraense
PUBLICAÇÃO
sábado, 16 de abril de 2011
Widson Schwartz <br> Especial para a FOLHA 
Fundado há 61 anos, que se completam em julho próximo, o Esporte Clube Andiraense (E.C.A.) parou de jogar nos primeiros da década de 90, mas oferece hoje condições para uma equipe profissional em Andirá (26,6 mil habitantes), Norte Pioneiro. ''Aqui não vejo dificuldades para a volta do profissional. Existe empresário com idoneidade e o clube tem CNPJ (Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica), pode ser reativado a qualquer momento, sem dívida e com um patrimônio, temos dois terrenos'', expõe o diretor Witor Dutra, aventando a hipótese de uma parceria.
E apontou, também, para uma alternativa ao ''futebol empresa'', embora ainda não tivesse se inteirado da lei 12.395, recém-sancionada pela presidente da República, Dilma Rousseff. A nova lei estabelece, dentre outras alterações na legislação desportiva, que o jogador menor de 18 anos (em formação) não pode ter agenciador na sua relação com o clube e que o primeiro contrato entre as partes passa de dois para cinco anos, aumentando a possibilidade de os clubes chegarem a uma base profissional consistente.
''Talvez se tivéssemos um amadorismo bem forte, o futebol voltasse a criar raízes'', supõe Dutra, baseando-se em experiência própria, na Rádio Cultura, juntamente com Alcir Ramos (hoje na Paiquerê). Ambos organizaram a ''Copa Cultura'', com dezenas de times amadores da região. ''Os torcedores chegavam em quatro, cinco caminhões. Talvez esteja faltando esse tipo de coisa'', insiste.
''Meu sonho é voltar a mexer com futebol'', revela Witor Dutra, 62 anos, ex-médio volante do Andiraense, ex-vereador e um dos guardiões da história, atarefado em seu escritório de contabilidade. ''Joguei três anos, em 67 e 68, depois em 1970. Acabei entrando para a diretoria'', relata a sua intensa participação. ''Juridicamente o clube está-se mantendo porque, desde 1970, eu faço isso, a contabilidade. Tem uma diretoria, mas não tem atividade.''
Gradativamente, o futebol profissional foi-se tornando inviável economicamente para a maioria das cidades interioranas e, na sua última fase, que se estendeu até 1992-93, participando de campeonatos amadores regionais e da Taça Paraná, o Andiraense teve de recorrer à ajuda do poder público para viajar. Na condição de diretor, Dutra via-se na contingência de tirar dinheiro do bolso constantemente. ''Quando larguei de meter a mão no bolso, foi a última vez que o Andiraense jogou'', resume.
O clube tivera as suas melhores participações em campeonatos amadores e profissionais nas décadas de 50 e 60, quando o Norte ''tinha futebol de Cambará a Paranavaí'', em se usando a expressão de Vitão, que jogou pelo Comercial de Cornélio Procópio. Em 1958, o Andiraense ficou em oitavo lugar entre os 12 participantes do Campeonato Norte-Paranaense, cujo campeão foi o Comercial.
Numa fase mais recente, o Andiraense venceu duas vezes o Campeonato Regional da Liga de Santo Antônio da Platina (1982 e 1990), mas já havia dificuldades para a manutenção do time, que ficou sem o estádio.


