O ônus imediato que se paga por falar o que se pensa, da forma que acha correta, é cultivar antipatias. E Citadini sabe disso. Bate boca de forma indiscriminada, sem escolher alvo. Ora com torcedores, ora com jornalistas, às vezes com dirigentes de outros clubes e outras com pessoas do próprio Corinthians.
Não é à toa que o único incidente que o tirou do sério a ponto de fazê-lo entregar o cargo foi protagonizado apenas por corintianos. No primeiro semestre de 2002, quando o clube ainda mantinha parceria com o fundo americano de investimento Hicks, Muse, Tate & Furst (HMTF), houve verdadeira batalha política nos bastidores. Enquanto Citadini defendia a separação do futebol, diretores e conselheiros ligados a outras modalidades lutavam para manter tudo como estava. ''Não foi um golpe para fazer as pessoas pedirem para que eu ficasse. Eu realmente estava saindo'', lembra.
Para os que querem vê-lo longe do Parque São Jorge, o dirigente manda um recado claro. ''Eu tenho 52 anos e sou daquela geração de corintianos que se criou apanhando bastante naquela fila de 23 anos. Fui ver o clube ser campeão quando tinha 27 anos. Aguento muita pancada. Sou casca dura'', diverte-se. ''Aqui no clube até brincamos que além da atual geração, que não se cansa de ver o time campeão, existem outras duas: a da fila, que é a minha, e a mais antiga, que foi buscar o Domingos da Guia na Estação do Norte, no início dos anos 30.'' (A.E.)

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