São Paulo - Empatar fora de casa pela Copa Libertadores é um grande resultado. Mas no São Paulo, a igualdade de 2 a 2 contra o Quilmes, quarta-feira, serviu para revelar as carências do time. O diretor de Futebol Juvenal Juvêncio retornou ao País reclamando da atitude de alguns jogadores. O técnico Emerson Leão estava indignado com as falhas de marcação.
''O resultado é uma lição de que não adianta ter apenas o melhor time'', reclamou Juvenal. ''E temos atletas que ainda não se adaptaram ao estilo da Libertadores. É preciso encarar a competição como uma guerra, igual fizeram os jogadores do Quilmes,'' bronqueou.
Seriam Cicinho e o meia Danilo os alvos do dirigente? Possivelmente, pois elogiou vários outros jogadores. Disse que Fabão, Lugano e Júnior crescem nestas horas. Citou a boa performance dos volantes Alê, Renan e Mineiro e rasgou sedas para Grafite. ''Ele é uma fera.''
Leão defendeu seu meia. ''Futebol não é guerra, é espetáculo. Não podemos cobrar de um jogador fino, de criatividade, usar um dispositivo que não saiba. Estou satisfeito com o Danilo.''
Racismo - A provocação dos argentinos extrapolou no empate em 2 a 2, entre São Paulo e Quilmes, na cidade de Quilmes, pela Copa Libertadores. Após o duelo, o atacante Grafite deixou o estádio Centenário reclamando da forma como foi tratado pelo adversário. Além de cusparadas na cara, ele foi alvo de declarações racistas dos jogadores rivais.
''Recebi muitas cusparadas de torcedores e jogadores aqui na Argentina. Também me chamaram de negro e macaco durante o jogo. Mas eu não ligo. Libertadores é assim mesmo'', contou o atacante são-paulino, autor de três gols em três jogos na Libertadores-2005.
Este tipo de atitude tem sido comum na Europa. Jogadores negros estrangeiros estão sendo frequentemente hostilizados. Tentanto acabar com este problema, a Uefa já começou a punir, financeiramente, os clubes por causa deste crime.
Na própria Argentina, o lateral Baiano, ex-Palmeiras, hoje no Boca Juniors, ganhou dois apelidos desde que chegou: ''bombom'' e ''negro'', que são cantados pelos fanáticos torcedores a todo momento em ''La Bombonera''. O ala vê isso como uma demonstração de carinho e não se sente discriminado.
O atacante Grafite revelou que as provocações racistas vindas dos jogadores argentinos na partida entre São Paulo e Quilmes (ARG) foram além dos gritos de ''macaco'' e das cusparadas contra ele e outros jogadores brasileiros, como Diego Tardelli. No desembarque da delegação são-paulina ontem, Grafite disse também que foi chamado de ''negro de m....''
''O número 21 (o atacante Sanchez) me deu uma pancada por trás. Depois um outro me chamou de macaco, negro de m...., mas nada comparado com o que tem acontecido na Europa. Já esperava isso na Libertadores. Um zagueiro até me pediu desculpas depois do jogo'', disse o jogador.

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