Dirigente do Londrina explica multa baixa de Bruno Santos
Lucas Magalhães detalhou processo de saída do artilheiro e revelou que o clube tentava a renovação desde março
PUBLICAÇÃO
sábado, 01 de agosto de 2026
Lucas Magalhães detalhou processo de saída do artilheiro e revelou que o clube tentava a renovação desde março

O executivo de futebol do Londrina, Lucas Magalhães, detalhou pela primeira vez os bastidores da saída do atacante Bruno Santos e explicou por que o clube não conseguiu impedir a transferência do artilheiro para o Mirassol. Na época da negociação, Bruno liderava a artilharia da Série B, com 11 gols, e somava 17 na temporada. O atacante teve a multa rescisória paga pelo clube paulista e passou a disputar a Série A, onde já atuou como titular e balançou as redes.
Segundo Lucas, toda a situação teve origem ainda na negociação para a contratação do jogador, em dezembro do ano passado. Para acertar com o Londrina, Bruno exigiu uma multa rescisória inferior à normalmente praticada, condição que o clube aceitou para viabilizar o acordo. Caso contrário, o atacante sequer defenderia o Tubarão.
"Quando fechamos com o Bruno, em dezembro, muita gente criticou porque diziam que estávamos trocando o Quirino por ele. Ninguém sabia quem era o Bruno. Eu acompanho ele desde a base do Itaboraí. Depois vi o trabalho dele no Volta Redonda e já tentávamos contratá-lo desde a Série C, mas ele acabou indo para o Guarani. Em dezembro, ele tinha uma proposta que era mais que o dobro do que a gente podia pagar aqui", explicou.
Lucas afirmou que, durante a negociação, Bruno deixou claro que desejava manter uma multa mais acessível para facilitar um eventual retorno ao futebol japonês, mercado onde já havia atuado. "Ele queria uma multa mais baixa porque sonhava em voltar para o Japão. Tentamos criar uma cláusula específica para o mercado japonês, mas foi uma negociação. Ele disse: 'Quero nessas condições'. E a gente entendeu que valia a pena. A legislação permite multas muito mais altas, que depois servem como base para negociação. Com o Bruno foi diferente, porque essa era uma exigência dele", afirmou.
O dirigente ressaltou que o valor não era irrisório, embora fosse inferior ao padrão adotado pelo mercado. "Era uma multa um pouco menor do que o normal, mas não era um valor baixo, como muita gente falou. Talvez, pelo momento que ele vivia, hoje a gente não aceitasse essas condições. Mas ele só veio para o Londrina por causa desse acordo. Foi uma excelente relação de custo-benefício."
Saída definida após goleada
Lucas também revelou como foi comunicado sobre a perda do atacante. A notícia chegou poucas horas depois da goleada por 5 a 0 sobre o CRB, partida em que Bruno marcou dois gols. "Nem tinha chegado em casa quando o Guilherme (Bellintani) me ligou. Vi que era uma ligação em grupo com o Dado (Cavalcanti) e já pensei: 'Deu merda'. Ele me parabenizou pela vitória e depois falou que o Juninho (Antunes, gestor), do Mirassol, tinha avisado que, na segunda-feira, pagaria a multa do Bruno. E aí não tinha o que fazer."
O executivo afirmou ainda que o Londrina tentava renovar o contrato do atacante desde março, mas não houve acordo. "A gente tentava renovar o Bruno desde março e não conseguiu. É um direito dele. A obrigação dele era cumprir o contrato, e ele fez isso. Jogou todos os jogos, trabalhou e foi profissional. A nossa obrigação era oferecer boas condições e pagar o salário em dia, e isso também foi feito. Quando apareceu a proposta da vida dele, ele optou por pagar a multa."
Confiança no trabalho
Desde a saída de Bruno Santos, o Londrina disputou quatro partidas, com dois empates e duas derrotas, retornando à zona de rebaixamento da Série B. Apesar da queda de rendimento, Lucas reforçou que o clube precisa seguir em frente.
"Vida que segue. O Londrina não pode ser menor do que ninguém. Existem muitos fatores que a gente avalia, mas alguns fogem do nosso controle. Se aceitamos uma multa um pouco menor lá em dezembro, foi porque entendemos que ele entregaria muito dentro de campo. E entregou. Foi melhor ter o Bruno por seis ou sete meses, ajudando o Londrina, do que perdê-lo para outro clube antes mesmo de ele vestir a nossa camisa."
Sem Bruno Santos, o Londrina passou a apostar em Gilberto como referência no ataque. Além disso, foi ao mercado e contratou o experiente Willian Pottker, ex-Ponte Preta, para reforçar o setor ofensivo. A tendência é que os dois disputem a posição que era ocupada pelo artilheiro da Série B, aumentando a concorrência por uma vaga no time titular.


Matheus Camargo
Repórter de Esportes, com foco no Londrina Esporte Clube.


