São Paulo, 25 (AE) - Dois ou três dias. É neste prazo que o vice-presidente de futebol da Portuguesa, Ilídio Lico, promete dar um fim às suspeitas de que estaria envolvido em um caso de tentativa de suborno de Nasser, ex-goleiro da Portuguesa Santista, no Campeonato Paulista do ano passado. "A verdade virá à toma o mais rápido possível, e creio que nos próximos dias tudo será esclarecido e meu nome não vai aparecer porque nada fiz." Segundo ele, o destino dos R$ 130 mil que faltam nos cofres do clube será conhecido.
O dirigente ficou descontente com as declarações do presidente da Portuguesa Santista de que o clube deverá pedir indenização em função do caso. "Acho que o presidente da Portuguesa Santista deveria ficar calado porque tem rabo de palha, ele tinha mais é de ficar quietinho", disse Lico, bastante irritado. Sobre a fita gravada por Nasser e divulgada em uma emissora de TV, o dirigente desconversou. "Não sei se fui eu quem falei, na verdade nem ouvi a gravação."
Lico admite que o caso vem mexendo com seus nervos e também com a rotina do clube. "É difícil dizer que não interfere, algumas pessoas, aquelas que me conhecem menos já me tatram diferente, como o Zagallo e outras pessoas que estão há pouco tempo no clube, mas também tenho recebido apoio daqueles que conheço há muitos anos."
O dirigente não quis dizer se está havendo uma investigação interna com o objetivo de resolver o caso e diminuir os danos à imagem do clube, mas garantiu que a Portuguesa não poderá esperar até agosto, prazo dado pelo presidente do Comitê de Ética e Disciplina do clube, Eduardo Rosmaninho, para um parecer sobre a questão. "Só acho que já aconteceram coisas muito mais graves em outros clubes que não receberam o tratamento que vem sido dado ao nosso caso", disse Lico sobre as informações de que o Ministério Público deverá investigar o caso.
Em campo, os jogadores evitam falar sobre o caso. "Não queremos fazer comentários porque isso pode trazer o problema para dentro do time", disse o meia Evandro. O atacante Leandro concorda.
Se os bastidores da Portuguesa estão tumultuados, o clima entre os jogadores depois da vitória contra o Guarani não poderia ser melhor.
"Foi importante a gente se reabilitar", disse o zagueiro Marcelo Miguel.
"Alguém tinha de pagar o pato", comentou Evandro sobre a vitória.
Hoje o jogador desfilava pelo clube com apenas um pequeno tufo de cabelo na parte da frente da cabeça. "É uma homenagem à Leandro, quem sabe usando um topete como o dele eu não faço gols também", brincou.
Leandro, um dos artilheiros do campeonato, com quatro gols, espera isolar-se na competição entre os atacantes. "Acho que o importante é não se afobar e com a ajuda dos companheiros continuar marcando e ajudando o time", diz. O atacante reclamou da violência dos zagueiros do Guarani. "Acho que das partidas que fiz até agora foi uma das que mais apanhei."

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