O técnico Nelsinho Batista continua com poderes no comando do São Paulo. A decisão foi tomada, ontem à tarde, em uma reunião entre o presidente do clube, José Augusto Bastos Neto, o diretor de Futebol, Manoel Poço, e o treinador.
Apenas os jogadores que participaram da partida contra a Portuguesa, na trágica derrota por 7 a 2, domingo, serão punidos. A reunião, que durou cerca de 40 minutos, ocorreu no escritório do presidente.
Segundo Manoel Poço, os atletas vão receber uma multa por insuficiência técnica. O valor, no entanto, ainda não foi revelado. ‘‘Vou encaminhar o meu pedido de punição ao Departamento Jurídico, que decidirá qual a taxa a ser descontada dos jogadores’’, afirmou o dirigente.
Poço afirmou também que alguns atletas deverão ser afastados da equipe principal, o que não significa a saída do clube. Os nomes mais cogitados são os de Dodô e Bordon. Márcio Santos, barrado pelo treinador antes do jogo contra a Portuguesa, continuará na reserva.
Ontem à tarde, os treinos foram cancelados por causa da reunião. Hoje pela manhã, Nelsinho Batista estará no Centro de Concentração e Treinamento da Barra Funda para começar a preparar o time para o jogo de quinta-feira, contra o América-MG, em Belo Horizonte.
Os dirigentes também estarão no CCT para conversar com os jogadores sobre a crítica situação da equipe no Campeonato Brasileiro. Segundo Poço, o técnico está prestigiado no clube por ter conquistado o título paulista deste ano.
A crise no São Paulo começou com a derrota por 2 a 0 para o Cruzeiro, no Morumbi, há um mês. Nessa partida, a equipe perdeu os meias Raí e Carlos Miguel por contusão. O caso de Raí foi mais grave. O ídolo são-paulino precisou ser operado para reconstruir o ligamento cruzado anterior do joelho esquerdo, tendo de ficar fora dos campos por até oito meses.
O meia Carlos Miguel, com uma contratura muscular na coxa esquerda, voltou à equipe pelo Brasileiro contra a Portuguesa.
Em 30 dias, antes da humilhante goleada de domingo, o São Paulo havia perdido outros quatros jogos - contra Botafogo (3 a 0), Sport (1 a 0), Santos (3 a 1) e Atlético-MG (1 a 0). As duas únicas vitórias nesse período foram contra o América-RN (6 a 1), um dia após a diretoria ter voltado a pagar os bichos por partida e não mais por classificação, e contra o Bragantino (2 a 1), no interior.
De acordo com Nelsinho, o que falta ao elenco é estabilidade para voltar a vencer. ‘‘Contusões e suspensões atrapalham o trabalho de qualquer time, mas o importante é nunca perder a determinação em campo’’, disse, referindo-se à goleada por 7 a 2 para a Lusa. A última grande derrota do tricolor na história havia sido em 1984, para o Grêmio, por 5 a 1, em casa.

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