Diretor da Stewart avalia Rubinho e Irvine
Por Lívio Oricchio
Hockenheim, 30 (AE) - Dois pilotos em especial têm reunido a maior parte das atenções da Fórmula 1 nas últimas duas corridas: Eddie Irvine e Rubens Barrichello. O primeiro, pela possibilidade de deixar a Ferrari e, quem sabe, até como campeão do mundo. O segundo, em função de poder ser o novo companheiro de Michael Schumacher na escuderia italiana. Amanhã os dois disputam a sessão que define o grid do GP da Alemanha, em Hockenheim.
Um técnico conhece bem Irvine e Barrichello que, no fundo, concorrem à mesma vaga: o irlandês Gary Anderson, hoje diretor-técnico da Stewart, mas projetista da Jordan quando Irvine e Barrichello dividiram a equipe de 1994 a 1996. Curiosamente, se Barrichello for para a Ferrari, o caminho mais provável para Irvine é a Stewart, de Gary Anderson.
"Os dois têm estilos bem distintos", explica Gary. "Enquanto Eddie é um piloto que defino como reativo, que reage aos estímulos que se lhe apresentam, Rubens é um piloto mais cerebral, capaz de se antecipar ao que vem pela frente." O primeiro parâmetro de julgamento desses profissionais é a sua capacidade de ser rápido na pista. "Os dois evoluíram muito."
Para Gary, as diferenças mínimas entre os tempos registrados por Michael Schumacher e Eddie Irvine atestam que o irlandês da Ferrari está entre os mais rápidos da Fórmula 1. "Rubens tira igualmente 99% do carro sempre." Um dado é lembrado pelo diretor-técnico da Stewart: nos dois últimos anos em que correram na Jordan, Irvine largou mais vezes na frente de Barrichello.
"Eddie é mais agressivo." Gary explica: "Essa agressividade pode às vezes ajudá-lo como prejudicá-lo." Em algumas ocasiões, lembra Gary, o estilo mais refinado de Barrichello o torna mais veloz que Irvine. "Nos pisos de pouca aderência, com água por exemplo, Rubens é fantástico." Mas se Irvine pode ter evoluído um pouco mais no aspecto velocidade, por dispor de um carro como a Ferrari e um companheiro como Schumacher por três anos, Barrichello continua sendo um piloto mais sensível. "Sua capacidade de nos mostrar, em detalhes e com precisão, cada reação do carro a cada mudança que realizamos é notável."
Comparar os dois com outros pilotos do passado é possível na análise do diretor-técnico da Stewart. "Eddie está mais para Nigel Mansell enquanto Rubens para Alain Prost." A regularidade é o ponto forte dos dois. "Quantas vezes Rubens rodou na pista este ano?" Pergunta Gary. "Talvez uma, num treino na França, nada mais." Quanto a Eddie: "Ele só não marcou pontos em uma etapa das nove disputadas até agora (GP de San Marino)."
Se Barrichello não tivesse tido tantas quebras, também chegaria entre os seis primeiros em todas as provas, segundo Gary. "Os dois possuem excelente controle do carro."
Com qual dos dois o diretor-técnico da Stewart irá trabalhar ano que vem não o preocupa. "Mesmo tratando-se de pilotos com características distintas, ambos são eficientes, e isso é o que importa." Gary está na Stewart desde o fim do ano passado. Duas temporadas separaram a saída de Barrichello da Jordan para a chegada de Gary na Stewart, para onde foi o piloto brasileiro. "Hoje vejo Rubens como um profissional mais maduro, constante, dentro e fora da pista, e com todo o seu talento preservado", diz Gary. No ponto para uma Ferrari?, é a pergunta. "Como piloto sim, mas não creio que Michael Schumacher lhe permitiria muitas liberdades na equipe."





