Principal alvo da Justiça do Trabalho nas investigações que faz no Londrina, o diretor financeiro do clube, César Fatel, questionou ontem os apontamentos feitos pelo interventor judicial no clube, Rubens Moretti, que culminaram na apreensão de computadores da contabilidade alviceleste para investigação das movimentações financeiras do Londrina.
Moretti havia relatado, em petição, ao juiz Reginaldo Melhado, da 6 Vara do Trabalho, que não era atendido nos pedidos para verificar as contas do clube, além de levantar suspeitas sobre o destino de recursos que entraram nos cofres do Tubarão, como, por exemplo, a venda de 30% dos direitos econômicos do atacante Jayme ao rapper Gabriel O Pensador por R$ 40 mil.
Em nota enviada à imprensa ontem, Fatel se defende das acusações e contra-ataca. Segundo ele, a movimentação financeira dos bares e vendedores ambulantes do Estádio do Café consta no controle financeiro do LEC e que eles foram entregues a Moretti.
Sobre os R$ 10 mil pagos pelo Atlético Paranaense para mandar seu jogo contra o Fluminense no Café, ele afirmou que o dinheiro faz parte do controle financeiro de agosto, que, segundo ele, não está fechado.
Quanto ao dinheiro de O Pensador - a direção do clube insiste em falar que é empréstimo, sendo que o músico confirmou, em entrevista à Folha, que foi uma movimentação de compra e venda documentada e com contrato - está lançado no controle junto com devidos recibos de pagamentos dos salários dos atletas na época.
Fatel ainda atacou Moretti, acusando-o de ser omisso. ''O administrador judicial usualmente dá expediente no clube uma vez por semana e, mesmo após inúmeros pedidos e solicitações de forma informal da diretoria, nunca tomou ciência da situação do clube, nunca acompanhou os recebimentos e pagamentos do clube, ao menos sentou-se à mesa para verificar qualquer lançamento ou controle financeiro, conforme foi designado pelo Ministerio do Trabalho, o qual deveria acompanhar a vida administrativa desta associação e ciente de que vários créditos do LEC faltavam o recolhimento de 15% do Acordo com o Ministério do Trabalho e que seria recolhido de forma única e integralmente, com a venda de um atleta Jayme'', diz a nota.
Ele ainda enviou uma cópia do recibo do pagamento feito pela família do jogador japonês Genta Kamimura (ver ao lado), que estagia no clube. Segundo a petição de Moretti, o valor seria de 6 mil dólares (cerca de R$ 12 mil). Porém, segundo Fatel, o valor correto é R$ 6 mil. ''O LEC foi procurado para fornecer estágio ao atleta em questão. O atleta foi devidamente registrado e, em seguida, o LEC recebeu da mão do Sr. Altair de Andrade, o valor de R$ 6 mil'', afirmou, antes de ameaçar. ''O valor mencionado na imprensa não confere com a verdade, cabendo àqueles que levantaram tal suspeita comprovarem com as devidas provas documentais. O caso foi passado para o Departamento Juridico do clube onde serão tomadas as medidas cabíveis''.
Moretti foi procurado pela Folha, mas estava em audiência e não podia atender.

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