A polêmica do afastamento da presidente da Confederação Brasileira de Ginástica (CBG), Vicélia Florenzano, não é apenas uma desavença pessoal. A avaliação é do diretor da equipe de ginástica rítmica da Sadia, Pedrinho Furlan. ''Não podemos condenar ou absolver ninguém, mas quem conhece o dia-a-dia da ginástica sabe que há pontos que precisam ser esclarecidos. É salutar ficar transparente a prestação de contas'', afirmou.
''Será que todas as verbas destinadas pelo Ministério do Esporte e pelo Comitê Olímpico Brasileiro (COB) à CBG estão discriminadas?'', questiona. Furlan faz o questionamento baseado na enorme diferença na estrutura e no tratamento da ginástica artística e a ginástica rítmica. ''É inegável que a ginástica artística cresceu nos últimos anos, mas a GR não recebe o incentivo merecido. Depois que a Bárbara Laffranchi deixou de treinar o conjunto a seleção não teve mais projeção''.
Enquanto a ginástica artística tem um Centro de Treinamento de Excelência, a GR passa por um momento bem mais modesto. As seleções permanentes foram desmembradas e passaram a treinar em quatro centros diferentes: Aracaju (individual), Vitória e Joinville (conjunto), na categoria adulta, e Belém (individual), na categoria juvenil. Por falta de verba, os centros do Pará e de Santa Catarina foram desativados. ''O ideal seria que a ginástica rítmica tivesse uma estrutura parecida com o Centro de Excelência da ginástica artística, de Curitiba'', afirmou Furlan.
Essa falta de investimento tem origem no relacionamento da Confederação com os clubes. Segundo Furlan, os clubes só conseguem se comunicar com a CBG por intermédio da Federação Paranaense, mesmo quando se trata de celeiro de campeãs, como a Sadia e a Unopar.
Em Toledo, no Oeste do Paraná, onde funciona o Centro de Treinamento da Sadia, são cerca de 500 ginastas em escolinhas. Destas, 50 treinam para competições. A equipe é a atual campeã brasileira da categoria juvenil, título conquistado em Maceió, no mês de dezembro. A empresa investe R$ 350 mil por ano na GR.
Futuro Diante do tratamento diferenciado com que a CBG mantém para as duas modalidades, Furlan visualiza uma situação embaraçosa no Pan de 2007. ''A ginástica artística terá que ser impecável, tem a obrigação de ser campeã. Tem totais condições para isso. Mas a GR vai defender o retrospecto de duas medalhas de ouro, e terá que lutar muito para manter o título. As seleções dos Estados Unidos, México e Cuba contrataram treinadores da Rússia para elevar o nível de suas ginastas, e a seleção brasileira, ao contrário, diminuiu sua estrutura. As meninas terão que se superar para subir no lugar mais alto do pódio'', analisa.
A preocupação de Furlan tem fundamento. No último Mundial, disputado em Baku, a seleção brasileira teve o pior desempenho dos últimos anos, ficando em 17º lugar nos conjuntos. Em 2004, na Olimpíada, o Brasil ficou em 8º. No Mundial de Budapeste em 2003, ficou na 9º colocação, e em 2002 em Nova Orleans, foi o 8º melhor conjunto. ''A ginástica perdeu muito quando a Unopar deixou de sediar a seleção permanente e a Bárbara deixou de ser a técnica. Ela é disparado a melhor treinadora de conjunto do País'', considera.
Furlan diz que o Brasil tem ginastas com o potencial de alcançar o nível das grandes escolas deste esporte. ''Se nós tivéssemos um 'Oleg Stapenko de saias', muitos destes talentos nacionais seriam revelados. É uma pena que num país em que temos a vice-presidente do Comitê Técnico de GR da Federação Internacional de Ginástica (FIG) Elisabeth Laffranchi , esta grande porta não possa ser melhor aproveitada por questões internas'', lamenta.

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