Diogo Silva ataca o Bolsa-Atleta
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 23 de agosto de 2012
Damaris Giuliana <br> Folhapress 
Rio - O lutador de taekwondo Diogo Silva afirmou ontem, em evento promovido pela Petrobras no Rio, que o Bolsa-Atleta - programa do governo federal de apoio a esportistas de alto rendimento - é ''manipulado''.
''Tem atleta da minha modalidade que não está nem entre os dez melhores do Brasil e está recebendo salário da atleta de ponta, na categoria internacional e nacional'', afirmou. ''É manipulação do sistema.''
Segundo ele, só quem tem envolvimento com políticos consegue receber a verba. ''A gente entrega um currículo invejável, com duas Olimpíadas, e fica fora. Toda vez retorna dizendo que falta documento. A gente sabe que é uma coisa que não está seguindo pelo melhor lado.''
Silva também se mostrou descrente em relação ao repasse direto da verba aos atletas, sem intermediação das confederações esportivas. ''O Brasil precisa ter compreensão de que não é o dinheiro que faz o atleta.''
De acordo com Silva, nenhuma categoria segue o rumo adequado. ''O Brasil está com uma propaganda política de nova geração, de investimento na base, mas tem que saber fazer a base'', disse. ''Não existe futuro no esporte porque não dá pra saber se um garoto de 12 anos será campeão olímpico sem desenvolvê-lo.''
Boxe
Dona do bronze em Londres na categoria até 60 kg, a boxeadora Adriana Araújo voltou a criticar a confederação da modalidade por ''autoritarismo''. Ela conquistou vários títulos internacionais nos últimos 12 anos, mas seus resultados pioraram desde 2010, quando foi obrigada a mudar da Bahia para São Paulo e trocar de técnico. ''Minha vida veio por água abaixo. Eu estava caindo de produção.''
Adriana negou a possibilidade de ir para o boxe profissional ou mudar para a modalidade MMA antes da Olimpíada do Rio.
Já Yamaguchi Falcão, bronze na categoria acima de 81 kg, se disse dividido. ''A gente está recebendo proposta. Se com essa medalha não melhorar muita coisa e o MMA fizer uma proposta que agradar, a gente vai buscar o melhor'', disse.
Esquiva Falcão, prata na categoria médio, é mais firme quanto à própria participação nos Jogos do Rio, mas também reclama da falta de apoio. ''Ganhei a medalha, estou famoso, levo tapa nas costas, mas minha vida não mudou nada, não melhorou.'' Ambos recusaram proposta de US$ 50 mil para ingressar no boxe profissional.
O presidente da Confederação Brasileira de Boxe, Mauro José da Silva, foi irônico ao rebater as críticas. ''A equipe técnica não fez nada'', disse.


