Diogo desabafa e foca Olimpíada de 2012
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quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008
Jaime Kaster<br> Reportagem Local 
Diogo Silva, 25 anos, atleta da Academia Fernando Madureira, de Londrina, é no momento o mais ferrenho crítico da Confederação Brasileira de Taekwondo (CBTkd). A entidade, que já foi contestada em anos anteriores pela londrinense Natália Falavigna e por treinadores da modalidade, é agora criticada por Diogo por ter restringido a verba olímpica de R$ 1,5 mil mensais apenas para os três atletas que garantiram vaga na Olimpíada de Pequim, em agosto: Natália (categoria acima de 67 kg), Márcio Wenceslau (até 58 kg) e Débora Nunes (até 57 kg).
Diogo Silva já fez desabafos contra o comando da CBTkd no ano passado, após ter conquistado no Rio a primeira medalha de ouro do Brasil em Jogos Pan-Americanos, na categoria até 68 kg. Criticou a falta de prestação de contas da entidade que, segundo ele, resulta na redução de repasses ao taekwondo por parte do Comitê Olímpico Brasileiro (COB). Também reclamou por ter tido que pagar do bolso as despesas de uma viagem para disputar torneios na Europa, quando entendia que o gasto teria que partir da seleção brasileira.
Agora, cansado de discutir sem ter êxito, Diogo afirmou ontem à FOLHA que irá se calar diante dos problemas para não ter a sua imagem prejudicada. ''Resolvi me resguardar um pouco, porque vejo que as coisas não mudam. É como na política brasileira. Mesmo com denúncias, as mesmas pessoas permanecem'', protestou. Por esse motivo, ele informou que também desistiu de entrar com ação na Justiça Desportiva exigindo tratamento igual aos dos três que conseguiram a vaga olímpica. Em outras palavras, queria ter direito também à bolsa olímpica por ser titular da seleção e integrante da Equipe Olímpica Permanente.
''As coisas estão sendo feitas muito a curto prazo e não se pensa no ciclo olímpico como um todo. O ciclo é de quatro anos e um atleta não pode receber incentivo apenas em um ano porque está na Olimpíada'', observou Diogo.
Seus planos para o ano são treinar em Londrina até a metade do ano, separado da seleção brasileira, e encontrar um patrocinador privado que viabilize sua independência financeira. A ajuda seria também para viabilizar a participação em torneios fora do País. ''Não vou estar nos períodos de concentração com a seleção e como competição oficial do Brasil só terei o Pan-Americano em Porto Rico, em setembro. Os outros campeonatos vou disputar com outros meios. Buscarei, por exemplo, vaga no Mundial Universitário, em julho, na Sérvia, mas com o apoio da Unopar (onde estuda e da qual recebe bolsa)'', antecipou.
Sem verba oficial, Diogo no momento sobrevive do salário que lhe é pago pela Prefeitura de São Caetano do Sul, com a qual assinou contrato para disputar os Jogos Abertos do Interior de São Paulo - é o atual campeão. ''E vou me esforçar para encontrar empresas que queram investir na minha imagem. Até por isso não vou mais me envolver em conflitos para não ter a minha imagem arranhada'', encerrou.


